Mais "nonsense" e Broadway do que Brecht

O meu colega Nick Pinkerton, da revista Sight & Sound, escrevia, muito a sério, na sua crítica a Marretas Procuram-se, que "os Marretas sempre tiveram um aspeto brechtiano menor", por causa do "lado "vamos montar um espetáculo" das suas histórias, das grandes vedetas do mundo do espetáculo que recebem como convidados e de Statler e Waldorf, o duo de pateadores embutido". Não querendo contrariar o meu colega britânico, eu diria antes que os Marretas cultivam brilhantemente a tradição da comédia nonsense anglo-saxónica, cruzando-a com as do vaudeville e do musical da Broadway. É o que volta a suceder em Marretas Procuram-se, que começa no fim do filme anterior, Os Marretas, com toda a pandilha a interpretar um número musical intitulado Vamos Rodar Uma Continuação e Miss Piggy a dizer "o estúdio vê-nos como uma franchise viável!". E o estúdio fornece-lhes um enredo que é o habitual cabide para eles pendurarem canções, partes gagas, solos, números cantados e dançados, disparates e paródias sortidas, vedetas convidadas e pelo menos uma extravagância megalómana de Gonzo. Constantine, o sapo mais maléfico do mundo e sósia de Cocas, evade-se do Gulag e, aliado a Dominic Badguy (Ricky Gervais), consegue que Cocas o substitua na Sibéria e, tomando o lugar deste (ninguém repara no seu atroz sotaque de Leste), leva os Marretas em digressão europeia, usando-os como capa para os seus assaltos, que culminarão no roubo das joias da Coroa, em Londres. Pelo caminho, o Chefe Sueco glosa o jogo de xadrez de O Sétimo Selo, a Águia Sam vira agente da CIA, há touros em palco, Cocas e Piggy quase se casam, Proveta mergulha no Tamisa com uma bomba e Statler e Waldorf fazem os seus comentários assassinos. Ou seja, showbusiness as usual, demente e desopilante. Bis! Bis!

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