"Comics", costumes e geopolítica

O Código dos Comics, estabelecido em meados dos anos 50, estabelecia muito rigorosamente o que podia ou não ser mostrado ou dito nas revistas da especialidade, abrangendo as histórias de super-heróis. Em 2011, o Código dos Comics deixou de ser válido, mas já alguns anos antes as editoras tinham começado a ignorá-lo e a desobedecer-lhe. Entre outras coisas, criando super-heróis com preferências sexuais alternativas, pertencentes a grupos étnicos cuja importância social, política e demográfica era cada vez mais significativa nos EUA ou refletindo as alterações e convulsões do mundo pós-11 de Setembro. Isto com uma ajuda das alterações nos costumes, da vertigem da atualidade, do advento de um multiculturalismo que funciona essencialmente só numa direção e das patrulhas do politicamente correto, e nunca perdendo de vista os novos grupos de potenciais leitores e nichos comerciais.

Mesmo apesar da criação de super-heróis mais adequados à chamada "modernidade", para muitos, os comics americanos ainda continuam a ter demasiados super-heróis brancos, masculinos e heterossexuais, a ser lamentável e excessivamente sexistas, homofóbicos e preconceituosos, social, étnica e culturalmente pouco sensíveis, e muito atrasados em relação ao movimento geral da sociedade. Mas as grandes editoras de comics têm, pelo menos, feito os seus trabalhos de casa no que respeita às boas práticas geopolíticas, sobretudo quando relacionadas com o Médio Oriente e com regimes cerradamente diabolizados por Washington, pela Casa Branca e pelo aliado israelita. Assim, a DC apresenta no seu alinhamento de personagens pelo menos dois super--heróis iranianos, um vindo da Síria e uma super-heroína palestiniana, enquanto a Marvel conta com uma super-heroína afegã e dois super-heróis iraquianos. Talvez Barack Obama e John Kerry aprendessem umas coisas se em vez de memorandos e relatórios de Estado lessem mais histórias de super-heróis.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG