Wopke Hoekstra, o tesouro da União e a morte

Em situação de crise mede-se a consistência dos valores de solidariedade e de união de facto dos países que constituem a União Europeia.

A primeira prova, na crise financeira de 2008 abalou os alicerces dos países unidos da Europa, com ou sem moeda única, revelando fraturas de triste memória, cuja caricatura mais expressiva foi bem traduzida no epíteto malévolo de «PIGS», para quem não se lembra: Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha.

Os do Norte passaram a ver-se como "civilizados", por terem mais euros no baú. E como o espírito de poupança é o valor sagrado, vá de culpar o Outro por estar desfalcado. E de carregar na dívida pública para alimentar a finança cosmopolita numa coleta interminável de juros pagos pelos Estados e pelo povo.

Na terrível epidemia da crise atual faz prova de facto, prova real, a união que se chama europeia. Nem a mortandade de cidadãos vizinhos suscita qualquer assomo de sentimento solidário. E é o ministro que dá o título a este texto que diz a verdade que circula no miolo de outros, mais contidos. A tragédia vivida na Itália e na Espanha merece desse senhor holandês, contabilista sovina, como urgente medida, uma auditoria às finanças de Espanha. Tempos houve em que essas terras onde medra a boa finança foi um departamento do Reino que agora passaria a ser vassalo. É sólido o capital, não se pode liquidar por nenhum preço sem apalpar a bolsa dos iberos.

Nojento, que faz asco, repulsivo e outro termo já produzido in situ, no virtual Conselho Europeu, em bom português (esperemos que com boa tradução), é pouco para qualificar o inqualificável. Por este caminho a união europeia, em letra pequena, vai mar abaixo, sem diques que a sustenham. É uma união de conveniências, dos que querem gerir por cima, mandar com os custos de umas migalhas bem contadas, numa democracia de fachada, para mirones, pois o que conta é sempre a conta. Requiem para a EU? Maybe...A língua que une é a do país que já lá não está.

Mal pensado, nesta terra onde a terra acaba e o mar começa, foi termos copiado a lei de eutanásia desse país, de espírito muito prático, eficiente em despachar para o outro mundo os que estão a mais, de modo indolor, aliviando por vontade própria a sobrecarga, num território com pouco espaço para os que sobram. E logo em vésperas da desgraça que ninguém previu.

Médico psiquiatra

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