Só uma verdadeira Proteção Civil Europeia pode proteger o espaço europeu

As catástrofes naturais que atingiram a Europa nos últimos meses tiveram consequências absolutamente devastadoras. Dos terramotos em Itália aos incêndios em Portugal, todos sentimos os resultados destas catástrofes naturais, cada vez mais complexas e frequentes. A angústia foi partilhada por todos nós perante uma tragédia de tamanha dimensão. E a Europa não pode ficar parada.

Estamos empenhados em criar uma Europa que protege os seus cidadãos, um dos pontos centrais do programa do presidente Juncker. E dessa Europa que queremos terá de fazer parte a minimização dos efeitos das catástrofes naturais que, só em 2017, tiraram a vida a mais de 200 pessoas em toda a Europa e destruíram mais de um milhão de hectares de floresta. Só em Portugal, os prejuízos económicos dos incêndios florestais deste verão ultrapassam os 600 milhões de euros. Nenhum país está imune a estas tragédias e a resposta terá de ser solidária. Só juntos podemos ter a prontidão que a população europeia espera das autoridades públicas.

A Comissão Europeia está empenhada em tornar mais ágeis os mecanismos de resposta e propôs a criação de um novo sistema europeu de resposta a catástrofes naturais, o rescEU, um verdadeiro sistema de Proteção Civil Europeu ao serviço de toda a União.

O rescEU representa um investimento superior a 200 milhões de euros e conta com aviões de combate a incêndios, bombas de água especiais, equipas de busca e salvamento, hospitais de campanha e equipas médicas de emergência. Uma resposta que deve ser complementada com a partilha de experiências entre Estados membros sobre prevenção e preparação para catástrofes que possam colmatar as lacunas existentes.

O sistema atual, alicerçado em meios disponibilizados voluntariamente pelos Estados membros, atingiu o seu limite. Os desafios são cada vez maiores e a nossa resposta tem de os acompanhar. Não podemos ficar paralisados quando um Estado membro é vítima de uma catástrofe natural e precisa de ajuda. As novas condições naturais que enfrentamos, cada vez mais frequentemente, implicam mais solidariedade entre todos nós, com uma resposta mais eficaz centralizada na Comissão Europeia.

Depende de todos nós garantir que a segurança das populações no espaço europeu é alcançada, melhorando a eficiência de todos os meios disponíveis. O rescEU é um primeiro passo para garantir que não voltaremos a ter um verão de 2017.

Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal

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