Visionamento com ovação

Estamos naquela fase em que os departamentos de marketing dos grandes estúdios de Hollywood colocam em pé de igualdade os jornalistas e os bloggers. Aconteceu precisamente isso no visionamento a abarrotar de Star Wars - Os Últimos Jedi esta segunda-feira em Londres, no gigante IMAX da Cineworld. Cerca de mil almas entre jornalistas de todas as idades e feitios e muitos bloggers, campeões de redes sociais e os chamados social influencers. Nesta altura do campeonato, são muitos os que acreditam que um filme fica mais bem servido com os ecos de uma celebridade no Facebook do que num artigo ou reportagem. A imprensa está a ficar para segundo plano neste circo promocional. Não há muito tempo, lembro-me de estar em Paris num evento de lançamento dos filmes da Netflix e ter visto mais social influencers do que jornalistas.

Sinal dos tempos dirão alguns, "chico-espertice" penso eu. Aos poucos, com essa reverência pela ratificação dos não-especialistas e da opinião de rede social, esses mesmos estúdios estão a criar uma nova raça de censura.

Todavia, pessimismos à parte, o ambiente na sala era especial. Gente verdadeiramente excitada e feliz por ir ver um filme! Coisa rara nos nossos dias...Mas Star Wars continua a ser mais do que cinema, é uma religião, conforme confirmei presencialmente na Star Wars Convention esta primavera em Orlando. Naquele cinema de Leicester Square havia aquela camaradagem dos fãs, não importa se jornalistas ou profissionais da opinião social media.

Depois, para surpresa de todos, aparece Rian Johnson, o realizador, a apresentar a sessão verdadeiramente entusiasmado ao lado do verdadeiro robô BB-8. Dizia-nos que nem estava a acreditar que o filme que acabou de fazer ia ser visto num ecrã tão grande. Estava a ser sincero. No final, houve aplausos e lágrimas de aprovação. É tão bonito quando o grande cinema de entretenimento consegue isto...

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Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.