Visionamento com ovação

Estamos naquela fase em que os departamentos de marketing dos grandes estúdios de Hollywood colocam em pé de igualdade os jornalistas e os bloggers. Aconteceu precisamente isso no visionamento a abarrotar de Star Wars - Os Últimos Jedi esta segunda-feira em Londres, no gigante IMAX da Cineworld. Cerca de mil almas entre jornalistas de todas as idades e feitios e muitos bloggers, campeões de redes sociais e os chamados social influencers. Nesta altura do campeonato, são muitos os que acreditam que um filme fica mais bem servido com os ecos de uma celebridade no Facebook do que num artigo ou reportagem. A imprensa está a ficar para segundo plano neste circo promocional. Não há muito tempo, lembro-me de estar em Paris num evento de lançamento dos filmes da Netflix e ter visto mais social influencers do que jornalistas.

Sinal dos tempos dirão alguns, "chico-espertice" penso eu. Aos poucos, com essa reverência pela ratificação dos não-especialistas e da opinião de rede social, esses mesmos estúdios estão a criar uma nova raça de censura.

Todavia, pessimismos à parte, o ambiente na sala era especial. Gente verdadeiramente excitada e feliz por ir ver um filme! Coisa rara nos nossos dias...Mas Star Wars continua a ser mais do que cinema, é uma religião, conforme confirmei presencialmente na Star Wars Convention esta primavera em Orlando. Naquele cinema de Leicester Square havia aquela camaradagem dos fãs, não importa se jornalistas ou profissionais da opinião social media.

Depois, para surpresa de todos, aparece Rian Johnson, o realizador, a apresentar a sessão verdadeiramente entusiasmado ao lado do verdadeiro robô BB-8. Dizia-nos que nem estava a acreditar que o filme que acabou de fazer ia ser visto num ecrã tão grande. Estava a ser sincero. No final, houve aplausos e lágrimas de aprovação. É tão bonito quando o grande cinema de entretenimento consegue isto...

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.