Sinto um grande alívio

Sinto um grande alívio. Fica salvaguardada a dignidade do Estado, que não pode premiar quem não cumpre o seu dever. E fica resguardado o respeito devido aos que cumpriram a sua missão, mantendo-se no seu posto e defendendo, com risco da própria vida, os timorenses que trabalharam para Portugal e que Pereira Gomes esteve prestes a abandonar à sua sorte. Vivi intensamente esses dias. O meu filho Francisco estava lá. Mantive um contacto permanente com Guterres, Gama e Sampaio, também a pedido deles. Pereira Gomes não pode dizer na minha cara que tem a consciência tranquila. Ele sabe que eu sei que telefonava constantemente a Guterres a pedir para o tirarem de lá. Ele sabe que eu sei que ofereceu o meu filho como voluntário para ele se pôr ao fresco. O meu filho aceitou, por sentido de dever, o repto que lhe foi lançado pelo governo. Foi o bom senso de Jaime Gama que evitou a vergonha do chefe da missão se vir embora, entregando às feras o diplomata mais novo. O ministro Santos Silva também sabe que eu sei que ele sabia que Pereira Gomes era uma péssima escolha.

Não fiz declarações públicas até agora. Mas comuniquei com lealdade a António Costa a minha discordância total com uma escolha a todos os títulos inadequada. Disse-lhe que, para saber a verdade, não bastava ouvir embaixadores e oficiais de polícia que não estiveram lá na recta final. Era preciso ouvir os que estiverem até ao fim, e sobretudo os que aceitaram as orientações do governo e cumpriram com honra o seu dever: como é o caso dos três GOE, dos quatros jornalistas, do porta-voz da missão, do médico, e do meu filho. Só assim se poderia contrariar interesses corporativos e empenhos particulares. Confesso que desde a fundação da democracia nada me indignou e incomodou tanto como esta nomeação.

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Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

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Diário de Notícias

A ditadura em Espanha

A manchete deste dia 19 de setembro de 1923 fazia-se de notícias do país vizinho: a ditadura em Espanha. "Primo de Rivera propõe-se governar três meses", noticiava o DN, acrescentando que, "findo esse prazo, verá se a opinião pública o anima a organizar ministério constitucional". Explicava este jornal então que "o partido conservador condena o movimento e protesta contra as acusações que lhe são feitas pelo ditador".