Sal q.b.

Depois do açúcar, inevitavelmente viria a guerra ao sal. Uma guerra com sentido, é verdade. É preciso pensar na obesidade, na diabetes, na hipertensão e noutros problemas que o excesso de sal e açúcar podem causar. É pre- ciso pensar como tornar esses males menores e ajudar a resolver um problema que afeta as sociedades. Quem o deve fazer? Todos.

Foi precisamente este ponto que fez surgir a discussão, quando a questão do agravamento da atual fat tax apareceu no OE 2018, com o agravamento ao imposto já existente sobre as bebidas açucaradas e a introdução de um novo imposto sobre o sal. A discussão sobre como se deve pensar e resolver o problema uniu todos os partidos, à exceção do BE, contra o PS. E foi mais um ponto de discórdia entre PCP e PS.

O exemplo deve vir de cima, sem dúvida. E contra factos não há argumentos. Consumimos 30 toneladas de sal a mais do que devíamos. Um número gigante que os portugueses vão ficar a conhecer com a campanha do Serviço Nacional de Saúde divulgada nas redes sociais. Mas há outros. O problema é que a ingestão de sal continua muito acima do recomendá-vel. Este é o ponto sobre o qual nos devemos debruçar. Educar deve ser a prioridade. De que vale pôr preços proibitivos se o proibido é o mais apetecido? Se não explicamos a crianças e famílias o que é uma alimentação equilibrada?

Há umas décadas havia nas escolas portuguesas uma disciplina que ensinava economia doméstica. Deixou de existir com a modernização da escola, porque, além de ensinar a cozinhar, coser e gerir a casa, tinha um lado estigmatizado, que obviamente não era bom. Hoje algo do género faria todo o sentido, para todos. Ensinar uma criança a comer legumes, cozinhá-los, a perceber de onde vêm, quais os seus benefícios e propriedades, como comprá-los e perceber o quanto se poupa numa cozinha racional é ensiná-los a ter uma vida saudável e regrada em múltiplos aspetos. É ensinar geografia, economia, cozinha, tudo na mesma aula. É só uma ideia, que pressupõe um facto simples, precisamos de começar pelo início, não pelo fim. Temos de começar por ensinar os mais novos. Por incutir nas empresas a vontade de fazer melhor, porque até os grandes pecados podem ser mais saudáveis e é sempre possível melhorar - e as grandes marcas têm mostrado esse esforço.

A fat tax não é uma ideia original de Portugal e há quem a implementasse com e sem sucesso. Cada país que adotou este tipo de taxas fê-lo à sua medida, contribuindo para uma maior desarmonia fiscal a nível europeu. E, apesar de alguns sucessos, houve impactos negativos bastante contestados e que levaram, no caso dinamarquês, à eliminação da taxa. Em todos os casos, os grandes lesados são as populações com menos poder de compra. Taxar pode ser um remédio rápido ou uma forma de ter uma solução per si, mas não é de todo a solução para este problema. Vale a pena pensarmos todos em como vamos ensinar a consumir sal q.b.

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