PSD: mudar!

O PSD precisa de mudar. Mudar na estratégia, mudar na atitude. Um partido social-democrata deve afirmar a importância de conciliar o desenvolvimento económico com as políticas de bem-estar social. Deve orgulhar-se disso e promover todos os instrumentos possíveis para alcançar este equilíbrio. Ou seja, um partido social-democrata nem endeusa a iniciativa privada nem diaboliza o setor público. Antes, promove uma economia de mercado regulada e moderniza a administração pública com novas ferramentas de gestão. Mais, um partido social-democrata defende causas sociais como a igualdade de género, o envelhecimento ativo, o combate à violência doméstica, entre muitas outras áreas excluídas do léxico do PSD nos últimos anos. Pelo que a primeira iniciativa de um novo PSD é refundar-se na sua matriz social-democrata, captando os eleitores moderados que se situam ao centro do espectro político e que não se reveem em políticas de pendor neoliberal.

Tão importante como redefinir a estratégia e as linhas programáticas é mudar a atitude. Devendo reconhecer-se, portanto, o momento que o país está a atravessar sem desvalorizar, obviamente, o enorme esforço efetuado pelos portugueses durante o programa de ajustamento económico-financeiro. Estamos num novo tempo, pelo que é importante olhar para o futuro e não ficar enquistado no passado. É também fundamental, como o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tão bem exemplifica, aprofundar a ligação afetiva com a sociedade, com os mais e os menos favorecidos.

E esta ligação afetiva seria profundamente reforçada se o PSD tivesse a coragem de promover a realização de eleições primárias para a liderança do partido já no início do próximo ano. Que fique claro que se trata de uma questão de princípio e não de um expediente tático. As primárias - método que está na base do sistema partidário francês, sistema que permitiu a eleição de Emmanuel Macron - oferecem diferentes vantagens. Ao permitir que tanto militantes como simpatizantes possam votar, as primárias aproximam os partidos da população, combatendo a abstenção e fomentando a participação cívica. Algo que o PSD desesperadamente precisa, a julgar pelas sondagens. Este sistema permite uma verdadeira renovação partidária, coisa que de outra forma dificilmente poderá acontecer. É interessante ver que o PS percebeu isso e elegeu o seu secretário-geral através desse método. E se calhar esse é um dos motivos pelos quais está no poder.

O PSD tem de mudar porque Portugal precisa do PSD. O PSD foi, e é, um partido essencial à nossa democracia, pela sua dimensão humanista e pela sua capacidade reformista. Mas ser reformista também é ter a capacidade de mudar e de perceber os desafios dos novos tempos. E a sociedade portuguesa exige hoje esta mudança.

Professor universitário e fundador do Fórum Democracia e Sociedade - Uma Agenda para Portugal

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