Para além do divórcio, o que disse o Papa?

E os recasados? E as uniões homossexuais? A "doutrina" mudou? Há uma revolução na Igreja? Estas são questões que farão correr muita tinta nos media durante os próximos dias mas seria uma pena deixar em branco as mais de 250 páginas que vão muito para além destas questões. O texto do Papa é interessante, valioso e útil para todos, porque nele está contida uma mensagem que não se restringe a um problema pastoral específico, mas que se dirige a toda a sociedade. Nele está uma proposta de um caminho para Deus, de um caminho de felicidade que assenta na visão de um matrimónio cristão, de uma família cristã. Uma família com vínculos fortes assente numa visão de amor conjugal que não se resume a um mero sentimento platónico por outra pessoa. A um amor entre um homem e uma mulher, exclusivo, indissolúvel e aberto à vida que não é egoísta nem centrado em si próprio, mas de entrega ao outro e a toda a realidade familiar que inclui as adversidades típicas da vida como o desemprego, a doença ou mesmo a dificuldade de ter e de educar os filhos. O texto é riquíssimo e de um realismo impressionante. O Papa não fala assumindo que todos pensam como os católicos. Não, a mensagem, a proposta, é para os tempos de hoje em que tudo é efémero, tudo gira em volta do consumo e das preocupações com o "eu". É uma proposta para uma sociedade obcecada com o dinheiro, a realização profissional e mesmo no prazer que tantas vezes leva as pessoas a serem tratadas como objetos e descartadas numa atitude "narcisista" (palavra do Papa). Mais do que uma defesa da doutrina cristã, é a base para se pensar e dialogar sobre temas de enorme atualidade e que afetam de perto as famílias do mundo inteiro, como a natalidade, o aborto, a eutanásia e a tão polémica ideologia de género. Vale a pena ser lido!

Coordenador dos Catholic Voices Portugal

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Adriano Moreira

O relatório do Conselho de Segurança

A Carta das Nações Unidas estabelece uma distinção entre a força do poder e o poder da palavra, em que o primeiro tem visibilidade na organização e competências do Conselho de Segurança, que toma decisões obrigatórias, e o segundo na Assembleia Geral que sobretudo vota orientações. Tem acontecido, e ganhou visibilidade no ano findo, que o secretário-geral, como mais alto funcionário da ONU e intervenções nas reuniões de todos os Conselhos, é muitas vezes a única voz que exprime o pensamento da organização sobre as questões mundiais, a chamar as atenções dos jovens e organizações internacionais, públicas e privadas, para a necessidade de fortalecer ou impedir a debilidade das intervenções sustentadoras dos objetivos da ONU.