É preciso uma escola inteligente e saudável

Depois de anos de acentuada melhoria e de ganhos ao nível da equidade, o insucesso escolar e as taxas de retenção aumentaram no ensino básico, precisamente nos últimos anos de governação da direita.

Os nossos alunos precisam, assim, de uma carga horária adequada, de uma escola que se preocupe com eles e que os ocupe de forma inteligente, saudável, criativa e motivadora de modo a contribuir para o seu desenvolvimento integral. Neste virar de página, o governo assumiu como um dos objetivos principais do seu programa o de garantir que todas as crianças e jovens concluem os nove anos do ensino básico com uma educação de qualidade, alicerçadas numa ampla variedade de aprendizagens no domínio das artes, das ciências sociais e naturais, das línguas, da educação física, da matemática e da cidadania e rejeitando a redução do currículo que tem ocorrido nos últimos anos.

Nesse sentido, é necessário que, tal como prevê a proposta de OE 2016 do atual governo, apostar na promoção de uma maior articulação entre os três ciclos do básico, assumindo uma gestão mais integrada do currículo e reduzindo a excessiva carga disciplinar dos alunos, bem como, na consolidação das atividades de enriquecimento curricular, integrando-as de forma plena na vida pedagógica das escolas, contribuindo por essa via para o aprofundamento do princípio da "Escola a Tempo Inteiro", alargando-o a todo o básico.

Nesse desafio, as autarquias e o tecido associativo serão parceiros vitais, porque a sua proximidade e dinâmica constituem uma enorme mais-valia. A escola pública tem de retomar as aprendizagens enriquecedoras do currículo e priorizar a formação integral e a ocupação saudável dos alunos, por forma a beneficiar os alunos e também as famílias que, assim, terão os seus jovens motivados e longe de condutas desviantes.

A escola, enquanto espaço privilegiado de aprendizagem e aquisição de competências, deve também proporcionar ocupações benéficas e estimulantes para que os alunos possam sentir o espaço escolar cada vez mais como "seu".

* Deputada e vice-pres. do Grupo Parlamentar do PS

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