Noite histórica

Os resultados eleitorais de 2017 demonstraram, em relação ao CDS, que as vitórias autónomas de 2013 não foram acaso, mas sim recomeço. Consolidaram a relevância autárquica que, por si, o partido teve sempre. E em tempos de singular maioria de esquerda, forçada pela "geringonça" na Assembleia da República, reforçaram a importância decisiva do CDS, para conquistas em coligações com o PSD em todo o país que, não fosse assim, dificilmente aconteceriam.

O CDS não se limita a concorrer a eleições. Não é uma espécie de BE da direita. O CDS disputa--as realmente e, em muitos casos, vence. Tem sido assim desde a sua fundação.

O CDS conquistou 36 autarquias em 1976, 46 em 1979 (22 em listas próprias e 24 em listas AD encabeçadas pelo CDS), 42 em 1982 (28 em listas próprias e 14 em listas AD encabeçadas pelo CDS), 30 em 1985, 20 em 1989, 13 em 1993, 8 em 1997, 3 em 2001, uma em 2005, uma em 2009 e cinco em 2013, não estando apurado o saldo para 2017 no fecho desta edição. De sublinhar, todavia, que a partir de 2001 o CDS juntou esforços com o PSD em coligações bem-sucedidas, numa estratégia assumida, que garantiu importantes vitórias eleitorais do centro-direita em muitas autarquias portuguesas de relevante dimensão, casos de Vila Nova de Famalicão, Porto, Gaia, Sintra, Coimbra, Braga ou Cascais, a par de tantas outras. Para que se perceba, em listas conjuntas, o PSD e o CDS conquistaram 22 autarquias em 2009 e 18 em 2013, a que se juntou outra em eleições intercalares posteriores. Estas não são vitórias do PSD apenas. São vitórias do PSD e do CDS, contabilizadas em milhares de votos, vereadores, deputados e presidentes de assembleias municipais, membros e presidentes de juntas de freguesia centristas. As coisas são mesmo assim. E não há nenhum mapa pintado na noite televisiva de laranja apenas, onde o CDS também esteja, que altere o facto. Acrescem as listas de cidadãos independentes que o CDS também integrou, no Porto, a começar. Ao contrário do PS, não dizemos que a vitória de Rui Moreira é a vitória do PS. Assinalamos somente que, além do mérito primordial de Rui Moreira, entre os eleitos estão muitos dirigentes e simpatizantes do CDS.

De destacar ainda, acreditando nos dados preliminares, novamente a fronteira sociológica que a distribuição de votos por partidos ilustra. O Norte, com maior peso dos partidos de centro-direita, e o Sul sob influência acrescida da esquerda e da extrema-esquerda.

Nota final em relação a Assunção Cristas, para quem, manifestamente, as eleições autárquicas não foram um teste; foram a confirmação. Conseguiu um resultado histórico. Depois de eleita presidente, confirmou-se líder, onde todas as provas se prestam - nas urnas. Demonstrou que em Lisboa, o voto útil alternativo a Fernando Medina, foi mesmo no CDS. Deu a cara e acreditou constantemente. Alavancou na sua crença todo o partido. Para quem não se revê no PS, no PCP ou no BE, essa foi a melhor das notícias. O CDS tem muito futuro.

Eurodeputado do CDS

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