Estabilidade para avançar

Portugal e Espanha demonstraram nos últimos anos do que são capazes: de sair de uma crise profunda com grandes sacrifícios. Estes esforços são amplamente reconhecidos por todos os países do norte da Europa. Espanha e Portugal demonstraram uma seriedade não alcançável por outros países da área mediterrânea.

Incentivo o governo socialista de António Costa a continuar na direção do anterior Governo de Pedro Passos Coelho, que, agora como líder da oposição, demonstra um elevado sentido de Estado e de responsabilidade. Apelo também ao próximo Governo Espanhol a avançar por este caminho: o do crescimento, da confiança e da estabilidade. De outra maneira, corremos um sério risco de retrocesso, perdendo-se, assim, o já alcançado com grande esforço pelos nossos cidadãos. Os nossos países geram agora confiança, mas os mercados são inflexíveis e não perdoam se dermos um passo atrás.

Os investidores pedem estabilidade política e económica.

Os sacrifícios e o esforço feito pelo povo espanhol e português para ultrapassar as dificuldades e contribuir para que os nossos países saíssem da crise não podem ter sido em vão. O retrocesso seria imperdoável e injusto para os nossos cidadãos. Não podemos pôr em perigo tudo o que alcançamos. Precisamos de seguir em frente.

A economia social de mercado, em que acreditamos, e pela qual trabalhamos, é a que gera riqueza e cria emprego. Uma economia em que a palavra social não é apenas marketing. É uma economia ao serviço da sociedade, que impede resgates como aconteceu em Espanha ou que os assume com grande responsabilidade como em Portugal, evitando dramas sociais de proporções maiores. Uma verdadeira e plena implementação da economia social de mercado não acontece de um dia par o outro. Temos de continuar na senda das reformas.

E para isso precisamos de governos estáveis, quer em Espanha quer em Portugal. Tanto aqui como no meu país, sabemos que não ter um governo ou ter um governo fraco não é bom, tal gera instabilidade económica e social e afastam o investimento.

Para além disso, estou convencido da importância de promover as nossas, já estreitas, relações bilaterais. Uma maior integração dos mercados português e espanhol, a definição de objetivos comuns e a defesa conjunta dos nossos interesses em Bruxelas, são apenas exemplos de medidas que creio serem essenciais para fortalecer a nossa presença nas instituições europeias e, portanto, junto da União Europeia. É muito mais o que nos une do que o que nos separa.

O Partido Popular Europeu está amplamente orgulhoso do trabalho feito pelo ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e pelo seu vice-primeiro-ministro Paulo Portas; por terem conseguido fazer avançar Portugal durante momentos tão difíceis. Ambos, juntamente com a sociedade portuguesa, demonstraram uma grande liderança do centro-direita europeu.

Eurodeputado espanhol e secretário-geral do Partido Popular Europeu

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