Entre os pingos da chuva

Vitória, vitória, acabou-se a história. Alguém duvidou de que o PS ia ganhar as eleições nos Açores? Acho que nem o próprio PSD. Vamos, por isso, resumir este ato eleitoral à sua essência: antes de o ser, já o era.

Nos Açores, há quatro anos, o PSD teve uma ótima oportunidade para reconquistar o poder e desperdiçou essa oportunidade. À época, Berta Cabral, não sendo a candidata perfeita, tinha tudo para reconquistar o governo regional ao PS, não fosse um pequeno (grande) pormenor: Pedro Passos Coelho. O primeiro-ministro que, na altura, tomava medidas impopulares e que acabou por, indiretamente, inviabilizar uma vitória do partido nesta região autónoma. Vasco Cordeiro teria sido facilmente derrotado, não fossem estas circunstâncias. Agora, dificilmente alguém o venceria.

A dimensão política destas eleições vai muito para além do óbvio. Tecnicamente, estas são as primeiras eleições que Pedro Passos Coelho perde, depois de ter sido reeleito presidente do PSD este ano. E isto não é pouco relevante. A começar pela participação que Passos teve nesta campanha. Diminuta. Por opção do próprio ou por opção das estruturas locais, a verdade é que a imagem que passou é a de que Passos Coelho é um ativo tóxico. António Costa também não andou muito pelos Açores nas últimas semanas, mas não precisava. Tinha lá Carlos César. Assunção Cristas, por exemplo, passou vários dias a comer lapas e quis fazer destas eleições uma espécie de prova de vida. Passos Coelho não. Como é que era? "Que se lixem as eleições."

No currículo de Passos, fica mais uma derrota eleitoral. Pesada, é certo, mas daquelas a que ninguém dará muita importância. Porque o país está a discutir o Orçamento do Estado. Porque ainda falta um ano para as autárquicas. E porque, na verdade, não há ninguém no partido para cobrar esta derrota. Ainda. E assim, Passos passa, mais uma vez, pelos pingos da chuva.

Subdiretor da TSF

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