Conversas orientais

China e África voltam a falar sobre economia, sobretudo do financiamento chinês aos esforços africanos de desenvolvimento. Um desenvolvimento a africana, diga-se, sabendo-se da brandura das exigências com que os empréstimos são concedidos, sem os requisitos de transparência, sobretudo.

Aos africanos interessa este dinheiro "fácil", que vem aos milhares de milhões e que, na prática, a ainda tem pouco impacto na vida dos povos, sobretudo por causa do terreno pouco estável em que se movimenta a política africana. Ou seja, alguns governos vêm no dinheiro chinês mais um pilar para a sua perpetuação do que uma ferramenta para a construção de economias verdadeiramente democráticas.

Mas há outras causas, como a fraca aposta africana no conhecimento e na formação tecnológica, ou seja, apesar do dinheiro, as capacidades para o transformar em desenvolvimento são ainda reduzidas, daí o novo apelo para a transferência também de tecnologia e da produção chinesa, com a instalação de indústrias asiáticas no continente, o que potenciaria o emprego. Acontece, porém, que para onde vai investimento chinês vão também trabalhadores chineses, tornando a competição para os postos de trabalho algo desigual.

Do lado chinês, na busca pela afirmação como superpotência mundial, os interesses não são poucos, desde a arregimentação de apoiantes para as suas políticas internacionais (veja-se como praticamente nenhum país africano tem relações bilaterais com Taiwan), à afirmação da sua moeda (o Renminbi) como elemento de reserva nas finanças mundiais.

No entanto, a atual cimeira traz um elemento que caberia às lideranças africanas aproveitar e para transformar as suas fraquezas em força e impor também algumas condições a Pequim: a guerra comercial com os Estados Unidos da América, que são ainda os maiores credores do continente africano. África pode reivindicar-se como um espaço de mercado, para além de fornecedora de matéria-prima. É uma oportunidade a aproveitar para "ativar" os mercados e o consumo africanos como molas impulsionadoras do crescimento e também como elementos importantes para a estabilidade social.

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