Clareza, normalidade e estabilidade

O ato eleitoral do passado dia 4 de outubro teve resultados evidentes.

A coligação PAF entre o PSD e o CDS venceu, tendo obtido mais votos, uma maior percentagem e mais deputados. Não houve nenhum partido à sua esquerda que suplantasse esses resultados.

Logo, e em contraponto, o PS perdeu, sendo o seu líder o grande derrotado na noite eleitoral. Apareceu para alcançar uma maioria absoluta e acabou travado por uma derrota clara.

Os eleitores disseram algo muito simples. Queremos Pedro Passos Coelho e Paulo Portas a governar; pretendemos que o façam com um governo de diálogo; não queremos António Costa como primeiro-ministro. Foi um conjunto de menagens claras a que não se pode responder com jogos palacianos ou acordos secretos. Nunca o exercício de governo pode ser um simples meio de sobrevivência de um líder partidário.

Nestes tempos politicamente complexos, a coligação PSD--CDS tem respondido com abertura negocial pública sem reservas e com margem para estabelecer compromissos. Assumiu uma atitude moderada e de compreensão perante o voto popular, que não pretende virar ao contrário. Não usou nenhum discurso que tenha sido escondido durante a campanha nem houve atitudes dúbias e duplas. De uma forma clara e transparente, percebeu a sua vitória com maioria relativa. É dentro desse enquadramento que pretende assumir uma linha de governo que, com estabilidade, corporize a necessidade de respeitar os compromissos internacionais de um país da zona euro e, ao mesmo tempo, acentuar a linha de crescimento da nossa economia. Como ficou claro a 4 de outubro, os portugueses não querem voltar para trás, querem segurança, estabilidade e previsibilidade nas suas vidas. É precisamente isso que a PAF neste momento lhes oferece.

Os portugueses recusam a possibilidade de um "perigo grego". Não querem voltar a ouvir falar de troikas ou de credores. Pretendem um exercício de poder que não passe por calculismos, contas partidárias ou atitudes pouco claras. Não estão preocupados com um líder partidário à procura da sua sobrevivência.

É altura de todos sermos exigentes. O normal é a existência de um entendimento entre quem ganhou e o maior partido da oposição. Será esta a forma de juntar estabilidade e coerência, defendendo os interesses do país.

Também por essa razão é importante que existam não só posturas de Estado como respeito pelas nossas instituições. A Constituição prevê que o processo de entrada em funções de um governo passe pela sua nomeação pelo Presidente da República e pela discussão do programa de governo no Parlamento. Assim, o primeiro, que tem uma legitimidade eleitoral própria e única, nomeia o governo, ouvidos os partidos políticos e tomando em atenção os resultados eleitorais. Por sua vez, os 230 deputados têm um direito de voto que é um dever perante o país. Em caso de votação e caso seja nomeado o vencedor das eleições, todos terão uma responsabilidade política mas sobretudo cívica. Todos terão o seu nome.

Como disse, é altura de deixar as instituições funcionar, tendo noção de que as atitudes políticas devem ser claras, transparentes, claras e objetivas. Não podem ser dúbias. Termino relembrando a forma como Francisco Sá Carneiro se referia à atividade política, em que todos têm uma circunstância pessoal, um partido, mas acima de tudo a obrigação de defender o interesse de Portugal. Este, hoje, exige respeito claro pelos compromissos internacionais e estabilidade.

Ler mais

Exclusivos

Adolfo Mesquita Nunes

Premium Derrotar Le Pen

Marine Le Pen não cativou mais de dez milhões de franceses, nem alguns milhões mais pela Europa fora, por ter sido estrela de conferências ou por ser visita das elites intelectuais, sociais ou económicas. Pelo contrário, Le Pen seduz milhões de pessoas por ter sido excluída desse mundo: é nesse pressuposto, com essa medalha, que consegue chegar a todos aqueles que, na sequência de uma crise internacional e na vertigem de uma nova economia digital, se sentem excluídos, a ficar para trás, sem oportunidades.

Adolfo Mesquita Nunes

Premium Derrotar Le Pen

Marine Le Pen não cativou mais de dez milhões de franceses, nem alguns milhões mais pela Europa fora, por ter sido estrela de conferências ou por ser visita das elites intelectuais, sociais ou económicas. Pelo contrário, Le Pen seduz milhões de pessoas por ter sido excluída desse mundo: é nesse pressuposto, com essa medalha, que consegue chegar a todos aqueles que, na sequência de uma crise internacional e na vertigem de uma nova economia digital, se sentem excluídos, a ficar para trás, sem oportunidades.

João Taborda da Gama

Premium Temos tempo

Achamos que temos tempo mas tempo é a única coisa que não temos. E o tempo muda a relação que temos com o tempo. Começamos por não querer dormir, passamos a só querer dormir, e por fim a não conseguir dormir ou simplesmente a não dormir, antes de passarmos o resto do tempo a dormir, a dormir com os peixes. A última fase pode conjugar noites claras e tardes escuras, longas sestas de dia com um dormitar de noite. Disse-me um dia o meu barbeiro que os velhotes passam a noite acordados para não morrerem de noite, e se ele disse é porque é.

João Taborda da Gama

Premium Temos tempo

Achamos que temos tempo mas tempo é a única coisa que não temos. E o tempo muda a relação que temos com o tempo. Começamos por não querer dormir, passamos a só querer dormir, e por fim a não conseguir dormir ou simplesmente a não dormir, antes de passarmos o resto do tempo a dormir, a dormir com os peixes. A última fase pode conjugar noites claras e tardes escuras, longas sestas de dia com um dormitar de noite. Disse-me um dia o meu barbeiro que os velhotes passam a noite acordados para não morrerem de noite, e se ele disse é porque é.