As lições nunca aprendidas

Estamos a celebrar o centenário da I Grande Guerra, onde Portugal esteve envolvido em duas frentes, a europeia e a africana. É interessante estudarmos este período para verificarmos que raramente aprendemos com os erros do passado e raramente tiramos lições para o futuro. Em relação ao equipamento do Exército, tudo se encontra praticamente na mesma: estamos mal equipados para fazer face às ameaças constantes no conceito estratégico da NATO e plasmadas no conceito estratégico nacional. Quando foi decidido Portugal participar na I GG, tornou-se necessário treinar o Exército, tendo sido realizado em Santa Margarida quase um milagre, tal era a nossa impreparação. Apesar deste "milagre", as forças que foram para o teatro de operações europeu tiveram de receber instrução e equipamento do Exército inglês e as que foram defender o território moçambicano tiveram de o fazer de varapau, por não disporem de armas de fogo em quantidade suficiente. Nos últimos 40 anos, finda a guerra no Ultramar, as Forças Armadas modernizaram-se e começaram a fazer exercícios com a NATO, tendo estes sido essenciais para que os nossos quadros e tropas conseguissem atingir elevados padrões de qualidade e eficiência, malgrado o equipamento ser muitas vezes inadequado. Atualmente o Exército necessita de equipamentos que lhe permitam transmitir dados e informação em tempo real a todos os escalões, para dar o salto tecnológico indispensável para nos transformarmos num Exército da era digital, compatível com os dos nossos aliados. Esperamos, há anos, que a indústria de defesa portuguesa produza alguns desses equipamentos, alguns já encomendados, em quantidade suficiente para equipar o Exército. Estamos também à espera de que o poder político decida investir em armamento individual moderno, pois a idade média das nossas armas de fogo ronda os 50 anos ao serviço do Exército, para evitar que voltemos a ser equipados por terceiros.

Coronel (na reserva)

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

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Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.