As lições nunca aprendidas

Nuno Pereira da Silva

Estamos a celebrar o centenário da I Grande Guerra, onde Portugal esteve envolvido em duas frentes, a europeia e a africana. É interessante estudarmos este período para verificarmos que raramente aprendemos com os erros do passado e raramente tiramos lições para o futuro. Em relação ao equipamento do Exército, tudo se encontra praticamente na mesma: estamos mal equipados para fazer face às ameaças constantes no conceito estratégico da NATO e plasmadas no conceito estratégico nacional. Quando foi decidido Portugal participar na I GG, tornou-se necessário treinar o Exército, tendo sido realizado em Santa Margarida quase um milagre, tal era a nossa impreparação. Apesar deste "milagre", as forças que foram para o teatro de operações europeu tiveram de receber instrução e equipamento do Exército inglês e as que foram defender o território moçambicano tiveram de o fazer de varapau, por não disporem de armas de fogo em quantidade suficiente. Nos últimos 40 anos, finda a guerra no Ultramar, as Forças Armadas modernizaram-se e começaram a fazer exercícios com a NATO, tendo estes sido essenciais para que os nossos quadros e tropas conseguissem atingir elevados padrões de qualidade e eficiência, malgrado o equipamento ser muitas vezes inadequado. Atualmente o Exército necessita de equipamentos que lhe permitam transmitir dados e informação em tempo real a todos os escalões, para dar o salto tecnológico indispensável para nos transformarmos num Exército da era digital, compatível com os dos nossos aliados. Esperamos, há anos, que a indústria de defesa portuguesa produza alguns desses equipamentos, alguns já encomendados, em quantidade suficiente para equipar o Exército. Estamos também à espera de que o poder político decida investir em armamento individual moderno, pois a idade média das nossas armas de fogo ronda os 50 anos ao serviço do Exército, para evitar que voltemos a ser equipados por terceiros.

Coronel (na reserva)