Está tudo naqueles rostos dos atores

Defeitos alguns, virtudes muitas. A seleção oficial de Cannes deste ano arriscou e petiscou. Dir-se-ia que foi um festival com apostas ganhas. Um festival em que houve temas, ocorrências e tendências que se tocaram, filmes que dialogaram uns com os outros.

Na silhueta do acaso, esta fornada fez-nos crer que há cineastas que para além dos efeitos visuais, para além do peso da mensagem social... quase sempre acreditam firmemente nos rostos. Foram alguns os filmes com planos fechados nos rostos dos atores. Close ups que não saem da cabeça de quem nesta quinzena não saiu do Palais de Cannes.

O rosto triste e doente de Gaspar Ulliel em Juste La Fin du Monde, de Xavier Dolan, o "menino bonito" de Cannes, que também enche o ecrã com o rosto magoado da magnífica Nathalie Baye e não para a câmara na beleza comovente de Marion Cotillard.

Mais não houvesse, era um filme que poderia ser unicamente uma sinfonia de rostos e dos seus poros. Uma câmara que amou aqueles atores, tal como acontece noutro dos grandes filmes do festival, Elle, em que Verhoeven não abusa dos planos próximos do rosto imperturbável de Huppert, mas quando o faz é certeiro.

Não se trata de ser trend, mas o grande plano na cara dos atores também teve efeitos mágicos em Mal des Pierres, novamente Marion Cotillard, desta vez pela mão de uma mulher, Nicole Garcia, um rosto de desejo, um rosto de perdição.

Em American Honey, a câmara vagueou de perto o rosto de uma atriz nova, esse espírito revolto chamado Sasha Lane. A realizadora Andrea Arnold filma a América em movimento e em bailado mas não se esquece de parar no rosto de Sasha.

E há candura e selvajaria nesses planos apertadíssimos.

Ficámos mesmo perto das personagens, dos atores.

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