Energia nuclear - 'nim'

Portugal não pode ter medo de discutir assuntos basilares para o seu desenvolvimento, como é o caso do vector energético. Um país desenvolvido não pode ignorar questões fundamentais para a sociedade.

O peso que a factura energética tem na balança comercial das importações e a relevância que tem na produtividade do País faz da política energética nacional um assunto premente cuja discussão não só deve como tem de ser fomentada.

No caso concreto da electricidade, a mesma tem um papel cada vez mais preponderante na vida diária dos cidadãos e das empresas, veja-se o acordo entre o Estado Português e a Renault-Nissan para a implementação dos automóveis eléctricos a partir de 2011 e o crescente número de equipamentos transversais a todos os sectores que são alimentados por este tipo de energia.

Neste sentido, a fonte de energia eléctrica é um assunto que importa, não só em termos de consumo imediato mas também no que diz respeito à segurança do abastecimento. Assim, é imperativo abordarmos a questão das fontes renováveis, com uma visibilidade cada vez maior no cenário nacional, não podendo, no entanto, ser esquecida a sua intermitência, a insuficiência nas necessidades do consumo e o custo social acrescido em virtude do regime especial da tarifa paga ao produtor, somando-se tal facto ao défice tarifário (diferença entre o custo de produção e a venda da electricidade ao consumidor, em que o custo da produção é mais elevado).

Importa, assim, não ter receio de abordar o tema nuclear, esclarecendo o consumidor e o produtor das suas vantagens e desvantagens, levando-o a decidir em consciência entre uma fonte de energia barata, mas com riscos controlados (a incerteza é de facto o grau de controlo do risco, o que tem de ser detalhadamente explicado), ou uma opção diferente com custos socais e também ambientais associados. O melhor seria a optimização das duas opções e a sua conjugação em benefício do País.

Um plano energético de um país não é algo que se discuta em meia dúzia de meses e se planeie e execute num par de anos. Um plano energético nacional tem de ser uma estratégia de permanente discussão, mas com soluções fixas a longo prazo.

A título de exemplo, como acontece com o Plano Rodoviário Nacional, constroem-se, hoje, vias que estão planeadas há 20 anos, e não é de agora a polémica da 3.ª travessia do Tejo em Lisboa.

Assim, parece que omitir da discussão ou adiar sine die a questão do nuclear não é de todo uma boa solução - já é tempo de enfrentarmos as nossas indecisões para bem do nosso futuro.

A incerteza da opção energia nuclear traduz-se num "nim", e cansados de "nins" estão os portugueses. Precisamos de decisões, de escolhas claras e bem feitas, de execução e de colocar uns bons pesos no prato das exportações, retirando ainda os pesos excessivos do prato das importações, o que a nossa balança comercial, as nossas finanças públicas e as nossas carteiras agradecem.

Portugal não tem produção de energia nuclear no seu território, mas a vizinha Espanha encostou uma das suas centrais nucleares a Portugal. Já provámos que radicalismos e fundamentalismos de ideias não nos conduzem ao sucesso. Discutamos, apreciemos o assunto da política energética nacional com responsabilidade e maturidade, não colocando de parte nenhuma fonte de energia. Chamem-se os técnicos, os especialistas, os verdadeiros conhecedores das diversas fontes de energia, ponderem-se todos os custos, benefícios, riscos, vantagens, desvantagens, decidindo-se posteriormente pelo que for mais vantajoso para Portugal.

Só assim se fará uma análise, uma discussão séria, sobre uma matéria de tão elevada importância, para a produtividade, progresso e desenvolvimento de Portugal.

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