Centenário de La Cumparsita

Neste ano, a cidade de Montevideu, capital da República Oriental do Uruguai, vestirá de festa para celebrar o primeiro centenário da estreia da La Cumparsita, o "tango dos tangos", composto por Gerardo Matos Rodríguez, um estudante uruguaio de 20 anos que, sem a ajuda da sua irmã, não tinha podido jamais passar seus compassos a uma partitura porque não sabia escrever música.

Também a Embaixada do Uruguai celebrará este centenário segundo o programa no link.

Aproximava-se o Carnaval no ano de 1917 e, uma vez recuperado da doença que o manteve em cama durante vários meses, tocou o tango para seu primeiro público, seus companheiros estudantes que estavam compondo a dita "comparsa carnavalesca", para sair a tocar pelos cafés; daí o seu nome.

Gostaram tanto que eles mesmos se encarregaram-se de fazer chegar a partitura ao maestro Roberto Firpo, um músico argentino que tinha vindo fazer a temporada ao Bar e Pastelaria La Giralda. Esta pastelaria estava situada frente à Praza Independência, no local onde na atualidade se encontra um edifício emblemático da cidade: o Palácio Salvo. Nesse local, teve lugar a estreia.

Dias depois, Matos voou para Buenos Aires e vendeu La Cumparsita por $ 50, uma fortuna para um autor desconhecido. Voltou a Montevideu e, nesse mesmo domingo, apostou tudo num cavalo, perdendo tudo.

Nasceu em Montevideu em 18 de março de 1897, no seio de uma família abastada que sonhava em vê-lo transformado em arquiteto; um sonho que viu frustrado porque este abandonou seus estudos de Arquitetura quase no começo. Dedicou--se às que foram as suas paixões: a música, as viagens, os amigos, os cães, as belas mulheres e os cavalos velozes. Viveu em Paris, Barcelona, Bremen, Costa Azul e Buenos Aires, onde estreou não só tango e milongas, senão também sainetes e obras de teatro. Seu repertório registado abrange mais de 70 obras.

Muito amigo de Carlos Gardel, em 1931 este convidou-o para compor a música para o filme Luzes de Buenos Aires.

Em 1940 voltou à sua cidade natal para cumprir o sonho de toda a sua vida: ter a sua própria criação de cavalos de carreira. Nela morreu, muito jovem, em 25 de abril de 1948.

"O tango canta o que se perde e Matos, deitado nessa cama em que o puseram na quietude para que pensasse na morte, pensa que vai perder tudo - opinava o Dr. Carlos Maggi, advogado uruguaio, dramaturgo, jornalista e amante do tango. Foi ali que esse rapaz em carne viva compôs a melodia mais triste do mundo, uma melodia como nunca ninguém pôde compor. Gerardo é um rapaz sofrido que desceu aos infernos e de onde voltou com um canto diferente, alguém que ouviu uma música que não era deste mundo enquanto imaginava, num arrepio, que estava num lugar de madrugada, mais além do tudo, perto do nada, em saudade. Ainda hoje, quem a escuta sente que nessa melodia há algo, um bem extraviado, alguém perdido, uma pena."

Embaixadora do Uruguai

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