Arábia Saudita autoriza a condução no feminino

Finalmente, o único país no mundo que não permitia à mulher conduzir anunciou a anulação desta proibição para breve, muito provavelmente para junho de 2018. Esta alteração radical da postura da Casa de Saud, que também inclui o fim das proibições de a mulher frequentar recintos desportivos ou ainda de assistir a concertos de música, deve-se a três fatores fundamentais. O primeiro, é o facto de o novo rei Salman bin Abdulaziz al Saud, entronizado em 2015, querer ganhar o cognome de "o Reformador, o Líder da Mudança", lançando para tal a Visão 2030, um pacote de reformas sociais e económicas tendo em perspetiva uma Arábia Saudita pós-petróleo. É a partir daqui que se explica esta mudança, já que a motivação é económica. Ou seja, a pressão demográfica (2.º fator), com um crescente número de mulheres face aos homens e todas com formação superior, obrigou ao início do que se pode considerar como um processo de "saudização" da mulher (3.º fator), a qual deverá ser um membro ativo na futura economia saudita. Ora, e a partir daqui, poderemos perceber a catadupa de anulações de proibições que aí virão, já que uma mulher para ser um ativo, um vetor económico da sociedade em que se insere, não poderá ter constrangimentos em viajar sozinha nem necessitar da autorização do "tutor" para tal. Prevê-se uma revolução social, bem-vinda, no reino saudita e por isso mesmo esta nova lei só entrará em vigor em junho de 2018, já que há que preparar a máquina administrativa para esta mudança e há ainda que convencer as lideranças religiosas de que uma mulher ao volante não é haram, ilícito. Para tal, certamente que muito será citado o exemplo da primeira esposa de Maomé, Khadija, a rica comerciante que muitas caravanas conduziu de Meca para Damasco e vice-versa.

Politólogo e arabista

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