Angola que não é simples

Angola nunca nos chega simples, sem preconceitos, intelectuais, afetivos, ideológicos. A mim chegou tarde, é um país de cuja história não fiz parte nem por motivos familiares. Em parte por causa dos slogans e do que nos ensinam na escola, versões pós-revolucionárias dos acontecimentos, tinha de Angola uma imagem maniqueísta, os bons e os maus iam variando consoante as épocas.

Alguns ficam-se por esta imagem - os que encontram conforto em ideias simples. Outros evoluem. A mim entraram pela vida pessoas para quem Angola não é questão simples, e, sobretudo, é questão delas, não de livros de História ou panfletos políticos. Sorte a minha. Descobri um país cuja complexidade vai das cores da pele - vários tons, nada a preto e branco - às ideologias, ao que o tempo foi fazendo à herança dos papéis tradicionais colonizador/colonizado.

É bom desembarcar em Luanda com este conhecimento na bagagem. Absorvem-se melhor os contrastes, as coisas boas, as coisas tontas, as coisas tortas. Coisas que nos divertem, entre uma Cuca e um pastelinho, num quintal qualquer, sorriso aberto, piadas com português pomposo e fora de tempo. Coisas que nos surpreendem como as críticas soltas ao sistema, nessas conversas e nas manchetes dos jornais vendidos no chão das ruas - "ladrão" não é palavra rara nesses títulos. E coisas que fazem chorar - sobrados e prédios históricos substituídos por arranha--céus, meninos que nos rodeiam num mercado de estrada, tão pobres, à espera de uma moedinha por um punhado de laranjas amargas que crescem, sem tratamento, apenas porque a terra é fértil nos seus quintais. Abandonados por quem não percebeu como se constrói uma nação - e também pelos que acham que podem fazer melhor.

Angola entra-nos pelos poros nesta complexidade. E é isso que não devíamos esquecer sempre que falamos dela.

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Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

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Diário de Notícias

A ditadura em Espanha

A manchete deste dia 19 de setembro de 1923 fazia-se de notícias do país vizinho: a ditadura em Espanha. "Primo de Rivera propõe-se governar três meses", noticiava o DN, acrescentando que, "findo esse prazo, verá se a opinião pública o anima a organizar ministério constitucional". Explicava este jornal então que "o partido conservador condena o movimento e protesta contra as acusações que lhe são feitas pelo ditador".