Reconciliar a Líbia

A imperativa necessidade que o CNT tem de criar condições para a reconciliação nacional passa por três factores: dinheiro, estratégia política, apoio internacional. O desbloqueio de verbas congeladas terá em vista a reconstrução de infra-estruturas, o auxílio de emergência hospitalar e, acima de tudo, dar ao CNT meios para formar um aparelho estatal de segurança que possa evitar o caos. Há milhares de líbios armados e ninguém sabe o que farão quando a poeira assentar. Sociedades em ressaca de conflito têm normalmente demasiados soldados e quase nenhuns polícias, que o digam Afeganistão, Iraque, Bósnia ou Kosovo. Não é por acaso que a prioridade internacional passou da formação militar à policial: ajuda à segurança de proximidade, reduz as tropas estrangeiras nas ruas, faz emergir um sentimento de renacionalização da soberania que por sua vez diminui a sensação de ocupação externa.

A estratégia política deve privilegiar um caminho próximo da inclusão e não da perseguição cega a lealistas do antigo regime. É verdade: falar é fácil. Mas veja-se o que Paul Bremer fez no Iraque para percebermos como a orientação tem de ser exactamente a oposta: reconciliar os lados no plano político e securitário, evitando prolongar a violência e a vingança.

Por fim, como nos prova a história das transições para a democracia, estas não se processam sem uma dimensão internacional. Vão jogar-se posturas individuais e colectivas, mas sobre estas, e no caso de ser necessário colocar forças de manutenção da paz no terreno, vai ser precisa uma autorização do Conselho de Segurança e o envolvimento de organizações regionais. O melhor cenário para a NATO e para a UE seria o de existir um pedido prévio da União Africana e da Liga Árabe para, conjuntamente, ajudarem os líbios a reerguer-se. Vale a pena aprender com erros do passado recente.

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