Veteranos políticos

A veterania política é, nestes tempos europeus, uma mais-valia em muitos debates. Não a de um Juncker, que serve para pouco, mas a de antigos políticos que trazem sensatez ao debate público, como Felipe González, Gordon Brown, John Bruton, António Guterres ou Chris Patten. O exemplo de González é relevante para a fase sensível de Espanha, há oito meses sem governo, com um debate polarizado e subitamente pulverizado de atores, ou por apresentar um sistema financeiro por estabilizar com efeitos em Portugal, França ou Reino Unido. Aliás, o brexit reforçou não só a desagregação do Reino Unido como concedeu ainda mais espaço às intenções regionalistas espanholas. Por isso, qualquer horizonte político que esbarre em negociações falhadas e numa terceira eleição seria um passo para o abismo espanhol. É aqui que as declarações de González têm pertinência, na véspera da reunião do comité federal do PSOE, onde Pedro Sánchez procura um mandato para negociar com Rajoy. González apelou à abstenção do PSOE para permitir ao PP formar governo rapidamente, pautando-se como uma oposição responsável nas áreas mais importantes do presente: integridade territorial, reforma laboral, pensões, política europeia e transparência no exercício de cargos públicos. É claro que González é um senador atento ao momento europeu, não está sujeito à redoma das estruturas partidárias locais, como Sánchez, e o distanciamento permite-lhe uma melhor compreensão de tudo o que está em causa. Essa é a vantagem da veterania política construtiva: fazer ver aos líderes partidários que há mais do que um ringue para fazer política. Aliás, todos os líderes políticos, no governo ou na oposição, deviam ter um conselho consultivo onde pudessem colher ideias fora da redoma partidária. O momento espanhol pede isto e muitos no resto da Europa deviam seguir o exemplo.

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