Ventos de Espanha

A confirmarem-se as sondagens, a estratégia de Rajoy surtiu efeito. Faltar aos debates a quatro acabou por desgastar Pedro Sánchez, pressionando-o para o embate final a dois. Além disso, deu campo a que três "jovens" mostrassem a sua inexperiência, para no momento certo, frente a um Sánchez agressivo e a colar ao discurso do Podemos, elencar o seu percurso de 30 anos em cargos políticos. Por fim, sabendo que a sua lugar--tenente, Soraya de Santamaria, é o pilar mais importante do governo e o elemento mais preparado para ir a debate com três homens da mesma geração, Rajoy não tinha muito a perder entre a sua base eleitoral. Até porque está ciente de uma coisa: é preferível segurá-la a aliená-la com erros e mais desgaste, e entrar pela massa de indecisos dentro; além disso não tem ilusões sobre nova maioria absoluta, quer é vencer o PSOE. Ou seja, o mais importante para Rajoy era evitar o desgaste em confrontos com candidatos-novidade para garantir a liderança do processo político no dia 21 de dezembro. Há duas questões em cima da mesa. A primeira é saber se uma vitória do PP assegura maioria com o Ciudadanos e se este a viabilizará, por ver nisso uma diluição a prazo na agenda do PP (como aconteceu ao CDS com o PSD) ou por recusar ter Rajoy na chefia. Neste caso, estará este disponível para entregar o governo, por exemplo, a Santamaria se isso concluir um acordo de maioria? A segunda passa pela formação de uma coligação de perdedores, caso Rajoy veja os esforços inviabilizados na negociação ou no Congresso. Aí, PSOE, Ciudadanos e Podemos podem inspirar-se em Portugal e ensaiar também nova etapa na democracia espanhola. A dúvida, lá como cá, está na duração dessa aparente convergência e na flexibilidade de Bruxelas. A certeza, sendo essa união bem mais contranatura, é que pode gerar mais tempestade em Portugal do que a produzida pela nossa.

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