Venezuela beligerante

Os dois terços conquistados pela oposição venezuelana podem ser tão difíceis de gerir para o regime como para ela própria. Será que o carácter unitário de uma coligação com 28 partidos (MUD) se fez por convicção ou por estética? Grosso modo, a oposição está dividida em três sensibilidades, líderes e posturas na luta contra Maduro. A mais moderada tem Henrique Capriles como rosto, o partido com mais deputados e um roteiro legislativo que dá prioridade à inversão do declínio económico, à violência urbana e à partidarização do aparelho judicial. A ala mais radical tem Leopoldo López como líder e faz da velocidade na rutura com o madurismo a prioridade, começando na aprovação da amnistia para presos políticos, entre os quais o próprio López. Por fim, a ala que se propõe fazer pontes com descontentes do regime, liderada pelo ex-chavista Henry Falcón, e que pode servir de pivô entre Capriles e López. O momento venezuelano tende a privilegiar a coesão na oposição, no entanto ela não deixará também de se mover em função de Maduro. É aqui está a outra parte difícil da equação: Maduro não pode ficar pelas respostas, precisa de recuperar iniciativa política. E começou por fazê-lo substituindo o respeito pelos resultados pela beligerância na "defesa da revolução", na promessa de vetos contínuos aos diplomas da maioria e na rápida renovação dos juízes do Tribunal Superior de Justiça antes da tomada de posse do novo Parlamento, em janeiro. O braço judicial do chavismo é absolutamente estrutural ao poder de Maduro, tal como as forças armadas. Mas se o primeiro é controlável, nesta última há sinais de divisão entre quem quer endurecer o cerco (Diosdado Cabello) e manter sangue-frio (Padrino López). Na Venezuela, a beligerância extravasa a coabitação política: pode vir a ser um padrão dentro do regime.

Ler mais

Exclusivos

atentados terroristas

Premium  "Estado Islâmico está a fazer captação de jihadistas que falem espanhol e português"

Um ano após os atentados terroristas na Catalunha, em Barcelona e em Cambrils, o codiretor do think tank Observatorio Internacional de Seguridad, Chema Gil, diz que é uma ilusão acreditar que o terrorismo jihadista está a ser vencido só porque as suas estruturas foram destruídas em países como o Iraque e a Síria.

João Almeida Moreira

Premium Segundos, Enéas e minutos

"O senhor vê na televisão o programa político eleitoral do presidente, tudo colorido, todos contentes, artistas milionários, se é essa a sua realidade, então vote neles, PT, PMDB, PSDB, PRTB, qualquer P, sempre estiveram juntos, é falsa a briga deles, agora se o senhor não aguenta mais ver menor abandonado na rua, as drogas, os crimes, tudo o que não presta aumentando, se você quiser expulsar para sempre esses patifes do poder, só existe uma opção, 56, o senhor nunca me viu junto com nenhum deles e comigo o senhor vai ficar livre de todos eles, o meu nome é Enéas 56."