Vão e não voltem

Talvez seja desta que Nigel Farage vai mesmo à sua vida. Fá-lo com vinte anos de atraso, numa cobardia igual à de Boris Johnson e com muitos anos de regalias em Bruxelas depois. O euroceticismo faz bem à UE quando a obriga a repensar e a corrigir o rumo, mas o que Farage sempre quis não tem nada de eurocético: é pura diversão política embrulhada numa pureza identitária envolta num novelo de argumentos manipulados.

Os Farages que infelizmente andam em cada um dos Estados membros, alguns até com bastante mais poder do que o original, precisam de ser derrotados nas urnas e nos media pelo que representam, mas acima de tudo pela mais-valia das propostas que se lhe opõem. Este é o debate em curso: os remainers foram incompetentes na mensagem que tentaram passar na campanha e os supostos europeístas ao serviço nas instituições são igualmente incapazes de fazer valer o silêncio como arte sensata em tempos de histeria.

Juncker é um erro antes de o ser. Pode até ser empurrado para fora da Comissão, mas os anos que se perderam com ele não são recuperáveis. A grande lição é que não há margem para erros deste calibre. Schulz quer revolucionar a UE sem dó nem piedade, extravasando o recato que devia pautar o presidente do Parlamento Europeu numa altura em que todos querem ditar a música que supostamente se deve tocar. Sobre Tusk, basta ver o seu Twitter para encontrar motivos para estar calado. O Eurogrupo, fiel à sua pirotecnia, resolveu atiçar o tema das sanções, com um claro objectivo de forçar uma grande coligação em Espanha e apanhando Portugal na enxurrada. E o ministro da economia francês, Emmanuel Macron, veio propor referendos por toda a Europa, qual bombeiro com gasolina no tanque. As críticas a Farage são sempre poucas, mas está longe de ser o único que está há tempo a mais a brincar à política europeia.

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