Uma eleição ilusória

Eram quatro as grandes questões nesta segunda volta. A primeira, se os franceses seriam mobilizáveis contra a FN. Foram. Só que isso não mascara um facto: a FN teve ontem ainda mais votos do que Marine le Pen nas presidenciais de 2012. Não há, pois, qualquer razão para celebrar: se o sistema eleitoral restringe a sua ascensão institucional, ela parece imparável ao nível popular. Até ao dia em que implodir a direita tradicional e se consolidar no bipartidarismo sistémico. A segunda, que prestação teria Sarkozy, o homem que se propôs estancar a FN. Sobreviveu. Beneficiou de desistências socialistas mas não assistiu à hecatombe da esquerda. Pelo contrário, a gestão de danos do partido no poder foi satisfatória. Além disso, a máquina partidária não o quis ver nalgumas regiões, o que diz bem como estão as coisas nos republicanos: coladas com o cuspo do voto útil.

A terceira, que força teria o independentismo na Córsega. Pois bem, venceu. Se o separatismo não é de todo uma novidade, a sua popularidade nas urnas reforça a vaga na UE, criando mais uma frente de batalha num Estado membro, central e estrutural à coesão europeia como a França. Por fim, que popularidade manteria a mensagem xenófoba (da FN e dos republicanos) nas regiões onde as três figuras da FN tinham ganho na primeira volta: em Nord-Calais (Marine le Pen), na Provence (Marion le Pen) e na Alsácia (Florian Philippot). Foi avassaladora.

O que têm as três em comum? São fronteiriças com o Centro da Europa e entrada dos fluxos de imigração recente: a primeira com a Bélgica e o canal da Mancha, a segunda com Itália e a terceira com a Alemanha. Ou seja, a agenda radical amplifica-se à medida que a UE se delapida com a crise dos refugiados e teima em provar que é um fator benigno nas políticas nacionais. A má notícia é que tem tudo para piorar.

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