Tiros de partida

O seu a seu dono: o Iowa não é grande exemplo como farol das primárias. Em 2012, ganhou Rick Santorum, que desistiria em abril; em 2008, Huckabee venceu e um mês depois desistiu e John McCain ficou em quarto; em 1992, Bill Clinton, depois eleito presidente, teve 3%; em 1988, George Bush, que chegaria à Casa Branca, ficou em terceiro. Além disto, o Iowa tem um peso ínfimo entre os delegados eleitos para as convenções partidárias de julho. Por isso, a sua importância é apenas esta: oficializa o momentum dos candidatos no tiro de partida. E é a posição de cada um no debate político e a notoriedade em cada estado que irá ditar as verbas angariadas, indispensáveis em qualquer primária mas ainda mais importantes quando a competição é maior. O que acontece entre republicanos é que está tudo disperso. Trump tem o mediatismo e domina os termos do debate: antissistémico, populista, captando vários quadrantes. Cruz é uma espécie de reminiscência não circense e vai aqui e ali disputando a agenda Trump. Bush é o candidato do establishment e quem de mais fundos dispõe, mas o seu carisma é zero e a estratégia política nunca vingou. Rubio é um herdeiro de Bush na Florida e ainda não é visto como um vencedor. Tudo isto pode mudar a 1 março (14 primárias neste dia) e ganhar uma dinâmica diferente a partir daí. E ninguém sabe se Mike Bloomberg não pode vir baralhar as contas. No lado democrata, a pergunta é se Hillary pode repetir 2008: tão favorita que se viu ultrapassada pela velocidade de uma novidade. Duvido. Para além de Obama ser inimitável, Bernie Sanders tem pouca história no partido e uma agenda externa incipiente e isto, para a máquina reunida na convenção, conta. De qualquer forma, Sanders foi o melhor que aconteceu a Clinton: chegar impreparada ao pico da campanha em outubro é tudo o que não precisa.

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