Senador Kaine

Ao contrário da convenção republicana, onde o candidato a vice-presidente Mike Pence passou ao lado das câmaras, na convenção democrata o candidato a vice vai ter protagonismo. É verdade que falarão Michelle e Barack Obama, Joe Biden e Bill Clinton, Bernie Sanders e Elizabeth Warren, mas a prestação de Tim Kaine há dias em Miami, na primeira aparição com Hillary, gerou expectativas acrescidas. Além de consolidar o voto afro e hispânico, pelo à-vontade com a língua e percurso na defesa dos seus direitos como advogado, presidente da Câmara de Richmond, governador e senador pela Virgínia, Kaine faz o papel de progressista no ticket democrata. Este ponto é importante ao olharmos para a formatação da unidade democrata que necessariamente tem de percorrer os trabalhos da convenção, como contraponto ao divisionismo republicano e projeção da ideia de unidade nacional que, objetivamente, o team Trump não quer promover. A principal questão em Filadélfia está em estabelecer pontes com os eleitores de Bernie Sanders, que disputaram ao longo das primárias o poder dos superdelegados, a predileção da máquina do partido por Clinton, a influência de Wall Street no financiamento da campanha, processo legislativo e agenda da Casa Branca. Para já, Sanders teve uma vitória com a renúncia da presidente da convenção, acusada de favorecer Clinton nas primárias. A se-gunda semivitória, embora não celebrada, é a escolha de Kaine. Não que ele seja propriamente um sanderista, mas disputou o poder das multinacionais na Virgínia, como a do tabaco; ou das armas, onde a NRA tem a sua sede. Além de mostrar temperamento, sensatez e coragem, um perfil que contrasta com o histrionismo republicano e até com facetas de Clinton. Se Hillary vencer este swing state, pode repeti-lo no Ohio e Florida e ser eleita com alguma margem. Kaine pode dar o impulso que faltava.

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