Rajoy, o fugitivo

A três semanas das legislativas, Espanha consolidou o processo revolucionário partidário em curso. Pela primeira vez, quatro partidos equilibram-se nas sondagens, estando três (PP, PSOE e Ciudadanos) em empate técnico. Os indecisos superam os 20% e mesmo sem especial tradição de debates televisivos três desses quatro líderes foram ontem a jogo. Três? É verdade, Rajoy deixou a cadeira vazia por afazeres executivos (Cimeira de Paris). Mas só isso? Não. Afinal também por não querer debater com partidos sem representação parlamentar, só abrindo exceção para debates a dois com Pedro Sánchez. O bom para Rajoy é que Rivera, Iglesias e Sánchez não lhe deram grande atenção. O mau é que expôs a sua já conhecida inabilidade política, falta de carisma e desorientação estratégica, como prova a entrevista que resolveu dar ao mesmo tempo. Um primeiro-ministro que está a perder eleitores para a abstenção e para o Ciudadanos não se pode ausentar de um debate destes. Tem de ir à luta. Um partido que tem maioria absoluta, tradição de poder, que se diz garante da unidade do Estado e guardião da Constituição, deixou a cadeira vazia por desconsiderar adversários, desculpando--se com uma cimeira internacional cujos trabalhos se prolongam até 11 de dezembro. Mais: quando o PSOE, o Podemos e o Ciudadanos criticam a política seguida por Artur Mas na Catalunha, impunha-se a Rajoy que discutisse com eles em que se diferencia numa questão existencial para o futuro de Espanha. Ainda para mais quando nas recentes parlamentares catalãs o PP foi escorraçado do hemiciclo e viu o Ciudadanos ter mais do dobro dos seus votos. E mais ainda: quando a corrupção esventrou as fileiras do PP nos últimos anos, impunha-se que Rajoy fosse a terreiro enfrentar a besta negra das democracias. Não o fez. Os eleitores não costumam ser meigos com fugitivos políticos.

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