Purificação erdogânica

O amadorismo do golpe de Estado turco é surpreendente dada a experiência dos seus principais líderes. As fações nas forças armadas são conhecidas e dividem-se genericamente em três grupos: os escolhidos de Erdogan, a velha guarda atatürkiana, e os preteridos de Erdogan próximos do Movimento Hizmet de Fethullah Gülen. Para que o golpe tivesse sucesso estas duas últimas fações teriam de estar unidas e coordenadas, o que não aconteceu. Outro sinal do voluntarismo está nos pontos de controlo obrigatórios que não foram conquistados: a captura do presidente e do chefe do governo, a rendição da cúpula policial, a televisão pública, o aeroporto e, claro, um largo apoio popular. A inexistência de um só apoio externo remata a incongruência da operação.

Pensar que Erdogan estaria fragilizado como nunca só pelo facto de o AKP ter perdido a maioria de dois terços, não ter conseguido mudar a Constituição, ou pelo país estar sob cerco de insegurança em escala, foi um cálculo ingénuo para generais de cabelo branco. Parece que já não se fazem golpes de Estado na Turquia como antigamente. E porquê? Essencialmente porque a Turquia não é a mesma. A complexidade do tecido social está hoje para lá da equação laicismo/islamismo. Basta lembrar a falta de apoio dado pelos secularistas à contestação militar quando Abdullah Gul foi eleito presidente em 2007. Hoje temos transferência de votos entre o AKP e o partido pró-curdo HDP; uma ausência de alternativa no principal partido da oposição e herdeiro do kemalismo, o CHP; muita contestação jovem e urbana a Erdogan mas uma sustentada lealdade conservadora na maioria dos turcos; um incómodo nos aliados como este regime mesmo que nenhum ouse apelar à mudança. Num quadro destes, ou há profissionais do golpe ou a sua banalização acaba no mais óbvio dos epílogos: a purificação erdogânica da Turquia.

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