PREC brasileiro

O processo revolucionário em curso no Brasil tem tudo para não acabar bem. O Lava-Jato toca em todos os pontos do sistema partidário que já poucas ou nenhumas alternativas credíveis oferece aos eleitores. Não fosse a ego trip do juiz Sérgio Moro e o processo anticorrupção podia de facto ser para o Brasil o que o Mãos Limpas foi para Itália no início dos anos 1990. Em poucas palavras, ao libertar as escutas entre Dilma e Lula como resposta à recuperação do ex-presidente para presidente de facto, Moro assumiu-se como rosto de uma república de juízes com a ambição de ocupar o vazio de alternativas à podridão do sistema.

Só que com isso fez de Lula um mártir e acendeu mais rastilhos nas ruas. O nível de agressividade entre manifestantes e polícia militar vai determinar o alcance das decisões mais importantes da política brasileira contemporânea: a tentativa de salvar o lulismo e a vontade de um juiz fazer xeque-mate aos políticos. Atendendo ao clima montado, não vai ser bonito. Aliás, vamos ver se Moro não esvaziou de vez o Lava-Jato.

O que isto não significa é que a gestão política e económica da administração Dilma e o golpe de asa de Lula não estejam nos anais da incompetência e da irresponsabilidade. Que me lembre, trocas de cadeiras como esta só entre Putin e Medvedev, o que não abona a favor do Brasil. Já em Lisboa, independentemente das afinidades que muitos políticos mantêm com Lula, devíamos estar a torcer pela queda de Dilma, um elemento perturbador da relação bilateral e que nunca simpatizou connosco. No final, para Portugal, é isto que conta.

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