Pobre GOP

Apesar de ter ganho em 49 das 62 circunscrições nova-iorquinas, Bernie Sanders perdeu a batalha, exemplo ilustrativo do que está em causa nesta corrida: não interessa ganhar muitos estados, mas os que distribuem mais delegados à convenção do partido. Em Nova Iorque, Hillary Clinton venceu três vezes menos counties do que Sanders mas os que ganhou tinham bem mais eleitores inscritos e com isso fixou o resultado: mais de 250 mil votos e praticamente mais 70 delegados do que Sanders. E é isto que importa, até porque na próxima 3.ª-feira cinco estados vão a votos num modelo igual ao de ontem (primárias fechadas a militantes), o que favorece Clinton. Neste sentido não surpreende que o discurso de vitória tenha sido apontado a Trump e não a Sanders. Do lado republicano, as coisas continuam bem encaminhadas para Trump. Em casa, o republicano-odiado-pelo--partido só perdeu uma circunscrição e para John Kasich, o "moderado" - encontrado-à-pressa-pelo--partido para, com Ted Cruz, forçar a fragmentação de delegados onde é possível. Só que, matematicamente, apenas Trump pode alcançar os delegados precisos à no-meação. Qual é então a ilusão que ainda corre nalgum estab- lishment? Que não chegue lá e possa ser destituído na convenção. Há, sobre este cenário, duas leituras. Primeiro, sendo possível, estamos cada vez mais no plano da ilusão, dadas as sondagens favoráveis a Trump em estados com muitos delegados e onde o vencedor arrebata todos (Pensilvânia, Maryland, New Jersey e Califórnia). Segundo, caso fique a curta distância à entrada da convenção, o partido fica com margem limitada para lhe recusar apoio. Bloqueá-lo é dizer que as primárias não contam para nada e que tudo pode ser decidido num golpe palaciano. Aceitá-lo significa cavar a desunião interna e transformar para pior a identidade republicana maioritária das últimas décadas. Pobre GOP.

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