Pedro Sánchez

Se Pedro Sánchez saiu da noite eleitoral com a maior derrota de sempre do PSOE, alguns dos seus companheiros de partido tudo têm feito para vergá-lo nesta fase de negociações. A estratégia passa por minar qualquer hipótese de entendimento à esquerda e à direita de modo a levar tudo para novas eleições, já depois de realizado um congresso eletivo no PSOE. É verdade que entre 2008 e 2015 o PSOE perdeu qualquer coisa como seis milhões de votos, mas esta hecatombe acabou, paradoxalmente, por colocar Sánchez como o único dos quatro principais líderes partidários no centro das soluções governativas. Em tese, esta seria uma vantagem importante numa negociação, mas a selva partidária não lhe deu um segundo de tréguas e ele próprio não parece querer viabilizar Mariano Rajoy e deixar a esquerda a Pablo Iglesias. Contudo, tudo é novo na política espanhola. Sánchez fez bem em traçar a linha vermelha sobre a Catalunha ao Podemos, exigindo que abdicassem do referendo para seguir negociando um acordo. Com isso, calou os críticos internos, aproveitou o ainda mais longo impasse na formação do governo catalão e fez do quadro eleitoral não um jogo a quatro mas de três mais um: os que não abdicam da unidade do Estado (mesmo que divirjam do desenho constitucional) e o que está disponível para a ver quebrada. A partir daqui, se Sánchez tivesse uma retaguarda política de todas as figuras do seu partido, podia deixar que a iniciativa de Rajoy fizesse caminho até ao seu encontro, impondo uma série de condições ao PP, desde a liderança do Congresso a pastas fundamentais como a das Finanças. Aliás, esta seria uma solução que dificilmente desagradaria ao rei. Mas se Rajoy tem de ceder para ser investido, o PSOE preferiu ceder à voracidade da gula interna. Se forem novamente chamados, os eleitores tratarão de julgar o espetáculo.

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