Ou vai ou racha

As primárias vão ficar hoje um pouco mais claras. Ou talvez não. Em 2012, Romney arrancou para a vitória a partir daqui, mas em 2008 Obama baralhou as contas e passou a concorrer a sério com Hillary, até vencer. Hoje, estão em disputa metade dos delegados necessários à nomeação republicana e um terço à nomeação democrata, o que torna este dia decisivo a dois níveis. Primeiro, as primárias assumem um carácter nacional, com os principais candidatos a medir a popularidade e a mensagem numa amostra mais próxima da eleição em novembro. Segundo, ficará mais evidente quem se manterá na corrida. Ted Cruz tem de vencer no "seu" Texas e discutir com Trump o sul social-conservador e religioso. Marco Rubio precisa de um punhado de bons resultados (Massachusetts, Georgia Vermont, Alabama ou Oklahoma) e assumir-se em definitivo como o único adversário de Trump. Mas se Trump disparar hoje à noite, vamos assistir a duas coisas nos próximos dois meses: Rubio tem mesmo de vencer dia 15 na Florida e no Ohio e garantir todos os delegados para agregar uma frente anti-Trump com força nacional; o establishment do GOP vai ter de decidir se cava a sua sepultura apoiando um Trump entretanto inevitável ou se tudo fará para que este não tenha o apoio dos delegados afetos à máquina do partido na convenção de Cleveland. Os dois cenários implicam autoflagelação no partido. Entre democratas, Hillary tem tudo para deslindar o sentido da corrida. Além de já ter apoio de 450 superdelegados (62% dos que estão em jogo), está confortável nos Estados onde o voto negro (Geórgia, Alabama, Arkansas, Tennessee, Virginia) e hispânico (Texas) é decisivo. Mesmo onde a disputa com Sanders é maior (Massachusetts, Oklahoma) as sondagens colocam-na à frente. Caso Clinton descole, há pelo menos a garantia de que um candidato nesta eleição tem um nível de sanidade mental acima da média.

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