Os seis camaleões

Até à "superterça-feira" de 1 de março as primárias servem essencialmente para duas coisas: testar o perfil e a mensagem camaleónica dos principais candidatos nos pontos cardeais em disputa (Iowa no Midwest, New Hampshire no Nordeste, Carolina do Sul no Sudeste e Nevada no Oeste) e ver cair os primeiros desistentes. Para responder ao principal desafio, os protagonistas dos dois lados vão-se ajustando em função do eleitorado que enfrentam. Não é possível comparar o conservadorismo do Iowa com a moderação do New Hampshire e essa mutação discursiva já foi ensaiada no último debate republicano. Se tivermos em conta que há quatro anos 50% dos eleitores do GOP na primária do New Hampshire diziam-se independentes, isso obriga a recentrar propostas e a congelar o fervor religioso de candidatos como Ted Cruz, que terá mais aceitação numa Carolina do Sul, onde, em 2012, 65% dos eleitores na primária republicana eram evangélicos. Neste sentido, New Hampshire está mais à medida de Rubio ou de Bush, com Trump a cavalgar a mesma onda mediática. Entre os democratas, New Hampshire abriu concurso ao candidato mais progressista da América e à disputa do voto jovem. Sanders tem vantagem nos dois pontos e o fator novidade beneficia-o, mas chegará uma altura em que só isso não chega. É preciso alargar a agenda, nomeadamente à segurança interna e à política externa, temas que definem outro músculo presidenciável mas sobre os quais Sanders pouco ou nada tem para apresentar. Por exemplo, os seus votos no Senado sobre armas e imigração podem não cair bem em estados onde o eleitor latino (Nevada) e negro (Carolina do Sul) têm peso. A desvalorização dessas áreas pode até surtir um efeito circunstancial, mas a máquina de Clinton atacará na altura certa. A diferença para o GOP é que ainda nenhum candidato se apoderou totalmente dela. Em março teremos a resposta.

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