Não há liberdade sem segurança

Nada será como dantes. Desde logo, porque nada pode ficar como dantes. Ter reiteradamente a esmagadora maioria dos terroristas debaixo de olho e identificados em listas que circulam entre as polícias e as secretas europeias, é revelador das limitações práticas que a prevenção aos ataques continua a ter. Os nossos quadros legais são talvez mais punitivos para crimes de menor alcance do que para o incitamento ao ódio, à jihad ou à destruição da nossa civilização, seja nas redes sociais seja pela boca de um imã. Há até alguns ordenamentos jurídicos europeus que abusam mais da prisão preventiva para crimes bem menos ameaçadores do que para o crime da apologia da guerrilha jihadista, cujo principal objetivo é implodir as nossas sociedades livres. Não estou a equipará-los, estou a falar de molduras penais que manifestamente não punem este último crime como deviam. É que ele expõe já um avançado grau de radicalização, cada vez mais acelerado porque feito online, e que normalmente acaba num banho de sangue. Também não estou a insinuar que cada grito antiocidental jihadista é um bilhete para o cárcere: temos de saber controlar a raiva, às tantas somos iguais a eles. Mas é preciso cruzar esses pregões com o perfil dos autores, perceber de onde vêm, onde têm andado, o que fizeram, como quem têm estado. E agir. Cruzar informação, traçar um perfil rigoroso e dar meios à investigação e à polícia, têm de passar a estar na linha da frente da luta antiterrorista europeia se quisermos lidar com as milhares de células que aqui proliferam. Roça o big brother? Se estiver na lei, tiver amplo apoio político, o aval dos líderes muçulmanos moderados e não cair na arbitrariedade, porque não considerá-lo? Reconheço a dificuldade que é não cair em abusos e paranoia, mas o que temos não tem chegado. E não há liberdade sem segurança.

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