Lutas interiores

Já se esperava uma fase de agressividade entre os cabeças de cartaz republicanos, triste espetáculo que animou o seu último debate. Estamos a chegar à superterça-feira e tanto as primárias na Carolina do Sul (hoje) como o caucus no Nevada (dia 23) farão desistir uns quantos e definir a contenda particular entre Rubio e Bush. A Carolina do Sul é ainda um grande desafio para Donald Trump, dado o imenso eleitorado evangélico que a compõe (65% na primária de 2012), o que significa que terá de ir ao seu encontro se não quiser ser surpreendido por Ted Cruz, o republicano de serviço para a oração. Aliás, foi tudo menos inocente a pega desta semana entre Trump e o Papa Francisco, cuja reação levou alguns líderes evangélicos da Carolina do Sul a defender Trump e a expor a indisciplina local face ao líder da Igreja Católica. A mesma luta interior terá Trump de dirimir no Nevada, dada a massa de mórmons que compuseram o último caucus republicano, ainda para mais quando ali, ao contrário da Carolina do Sul onde o vencedor fica com os 50 delegados em disputa, a sua distribuição é proporcional. Entre democratas, tanto no caucus do Nevada (hoje) como na primária da Carolina do Sul (dia 27), Hillary Clinton é favorita. No primeiro caso pela composição étnica do eleitorado, 40% negro e latino, no segundo porque os afro--americanos formaram 55% dos eleitores democratas na primária de 2012. Os dois grupos foram vitais nas vitórias de Obama e os seus líderes e associações mais representativas estão hoje com Clinton. Aliás, não foi inocente a ida a Chicago para reforçar a retaguarda afro no Midwest. Se lembrarmos que o eleitor de Sanders é sobretudo branco (e jovem), então muito mais terá de fazer para levar àqueles eleitores um leque de propostas até agora vagas. A principal luta de Sanders não é com Washington ou Wall Street: é consigo mesmo.

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