Em modo anti-Trump

Ted Cruz e o aparelho republicano esperam que a vitória no Wisconsin seja um travão a Donald Trump. Não que o establishment morra de amores por Cruz, apenas porque este se tornou o anti-Trump de serviço mais capaz de o abrandar, disputando cada delegado e assim inviabilizar a meta necessária ao fecho da corrida: 1237. Ninguém honestamente pensa que Cruz pode vencer, mas muitos acalentam a ideia de que é possível Trump não ganhar. Para isso é preciso continuar a dispersar delegados onde os resultados são proporcionais - por isso faz sentido que John Kasich se mantenha em jogo - e disputar cada um dos 882 delegados que restam nas primárias onde o vencedor fica com todos. Neste momento faltam 494 a Trump para chegar à meta e abril parece ajudá-lo (Nova Iorque, Pensilvânia, Maryland, Connecticut): a esperança da oposição é que Wisconsin lhe tenha tirado gás. O trabalho da frente anti-Trump é fazer que ele não chegue lá e reservar a escolha para a convenção de Cleveland, em julho. Resumidamente, porque as regras são complexas, os delegados assumirão aí o compromisso ditado pelos resultados das primárias nos seus estados, mas se não houver vencedor à primeira ronda serão livres de dar apoio a quem quiserem. Kasich, por exemplo, aposta muito na hipótese de ser o candidato de consenso e o nome do speaker da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, já foi lançado também para esse cenário de convenção aberta. Ted Cruz parece ser apenas instrumental para travar Trump. Entre democratas, continua a boa jornada de Sanders junto dos jovens e dos eleitores de baixos rendimentos, embora o aparelho não o aprecie. Nova Iorque e Pensilvânia vão ditar o seu futuro: se vencer pode atarantar a inconstante campanha de Clinton; se perder, a jornada estará próxima do fim. A não ser que os Papéis do Panamá lhe deem uma ajuda.

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