E agora, Rajoy?

O resultado conseguido por Mariano Rajoy aumenta-lhe a responsabilidade para, nesta segunda oportunidade, ser mais consequente nas negociações para obter uma maioria para, pelo menos, ser aprovado no debate de investidura. Fugir à votação seria uma traição ao voto de confiança que recebeu ontem. É evidente que precisa de um parceiro (ou dois), mas do papel de líder das rondas negociais não pode escapar. A palavra--chave é por isso ceder, válida para Rajoy e para quem se disponibilizar a encontrar uma solução construtiva para ultrapassar o bloqueio político espanhol: Albert Rivera tem de esquecer a repulsa que sente por Rajoy, enquanto Pedro Sánchez, superada a iminência de pasokização com o resultado do Podemos, pode ser forçado a abster-se para viabilizar um governo minoritário de Rajoy. Com isso dava uma dupla resposta aos eleitores. Por um lado, contribuía para desbloquear o impasse político, abrindo portas para a negociação do Orçamento do Estado que possa ter um cunho do PSOE. Por outro, mostra perceber o sensível momento europeu dando resiliência ao sistema pró--integração e pró-manutenção pela unidade de Espanha. Esta eleição espanhola está entalada entre o brexit e o Conselho Europeu de amanhã. A montante viu aumentado o nível de incerteza sobre a coesão europeia, sobre a instabilidade do sistema financeiro e o grito independentista; a jusante uma geometria variável com que se vai cosendo a negociação entre Estados membros. Prestar-se a fritar em lume brando os líderes partidários espanhóis com novo período de bloqueio político é um completo suicídio nacional. O fracasso em Madrid é a pior das brisas que nos podia bater à janela no atual momento europeu.

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