Do que precisa Bernie Sanders?

Se seguir a tendência, Hillary Clinton vencerá as primárias em Nova Iorque (dia 19) e Pensilvânia (26), estados que distribuem proporcional e respetivamente 291 e 210 delegados, um jackpot nesta fase da campanha. As sondagens dão-lhe folga na vantagem e o facto de serem primárias fechadas a militantes também a favorece. A tendência está aqui: Bernie Sanders tem ganho sobretudo em caucus e Clinton em primárias, o que em total de votos conquistados até agora dá a esta última uma vantagem de mais de dois milhões, mesmo protagonizando uma campanha desinteressante e pouco focada. No entanto, há uma dinâmica no lado de Sanders que não pode ser desvalorizada, seja porque venceu as últimas sete disputas (Clinton tinha vencido as oito anteriores), porque angariou mais 15 milhões de dólares em março do que a adversária, ou porque tem uma mensagem curta e clara que não só estabilizou a base de apoio (voto branco com menos de 30 anos) como ainda pode ser alargada. A diferença de delegados entre os dois ronda hoje os 700, margem que Clinton dispõe graças ao apoio expresso dos superdelegados, a elite do aparelho partidário. Para acrescentar momentum à sua campanha, Sanders precisa de três coisas fundamentais nos próximos dias. Primeiro, fazer um bom resultado não apenas em Nova Iorque e na Pensilvânia mas também nas que restam em abril (Maryland, Connecticut, Rhode Island e Delaware). Não é impossível, mas o puzzle étnico e o facto de serem primárias fechadas jogam a favor de Clinton. Segundo, obter apoios públicos de congressistas, diluindo a ideia de que não entra no aparelho. Terceiro, vencer claramente Hillary hoje no debate em Brooklyn, o bairro onde nasceu e cresceu. Se conseguir explicar como vai pagar o assistencialismo social universal que propõe, a sua parca fidelidade partidária ou o voto sobre as armas, pode ter o que precisa. Caso contrário, finito.

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