As três escapatórias da UE

Na última crónica procurei identificar três crises sistémicas que assolam a UE. Se a crise económica associou disfuncionalidades da moeda única e falta de competitividade nalgumas latitudes para enfrentar o ritmo da globalização, a crise energética revelou a vulnerabilidade crónica aos choques do mercado, à falta de diversificação das fontes e ao instrumento da agressividade russa, num quadro que subjugou o pensamento estratégico comunitário à ditadura financeira e à renacionalização política, gerando mais cacofonia nas decisões e atrofia nas respostas. O quadro não é animador, mas há caminhos que não devem ser desprezados. O primeiro é reverter a falência das propostas moderadas, sobretudo no arco que vai da social-democracia ao conservadorismo liberal, estrutural para acomodar os sucessivos ritmos da integração europeia. Para isso será preciso alterar a forma como os partidos desse arco pensam o mundo e preparam as suas propostas: menos paroquiais e mais exequíveis, menos abruptas e mais bem explicadas. E de preferência mais abertos a compromissos estruturais para vencer os debates sociais, melhorar a articulação comunitária das políticas económicas, gerar emprego sustentável e esfriar os nacionalismos. O segundo passa por olhar a revolução energética do Atlântico (EUA, Canadá, México, Brasil) como a oportunidade para a Europa compor de vez o seu mercado comum, reduzir a dependência russa e integrar um espaço estratégico em ascensão. Para tal precisa de olhar para a energia como um joker do TTIP e para este bem mais como um grande tratado geopolítico do que um mero acordo de livre-comércio. O terceiro passa por um ato de fé fixado em 2017: confiar que a sensatez do eleitor britânico vingará no referendo à UE, que a do francês vergará Le Pen nas presidenciais e que a do alemão validará os méritos da grande coligação. A Eu-ropa não está para aventuras.

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