As três crises da UE

Enquanto a UE não resolver três crises existenciais terá os partidos nacionalistas, xenófobos e anti-integração à perna. Acreditem que não descansarão até que ela impluda. São três crises sistémicas cujo tempo e modo têm arado campo a radicalismos agressivos contra o institucionalismo comunitário, muitos embevecidos pelo senhor Putin, alguns descontentes com a orgânica do Estado, propondo separatismos, desagregação e redefinição de fronteiras. Há várias matizes nacionalistas na Europa, mas existe um denominador comum em potência: a UE é o problema e não a solução para as crises estruturais em curso. A primeira é a económica, associada à desadequação das economias mais frágeis à globalização acelerada, à ascensão dos países emergentes e à competição trazida pelo alargamento a Leste, quadro coincidente com o deficiente desenho do euro. Depois de 2008, o debate financeiro secou tudo à volta, expôs a renacionalização das políticas europeias, um certo eclipse da Comissão e a influência do Eurogrupo nas políticas sociais, mesmo não sendo instituição da UE lavrada em tratado. A bulimia do Excel amoleceu-a noutras frentes, nomeadamente a que expôs uma crise associada à falta de mercado comum energético, rotas alternativas e excessiva dependência russa. E sempre que Moscovo revisita à força a sua zona de influência passada, falta resposta, coesão e força à UE. A esta crise juntou-se uma terceira, a estratégica, refém de uma cultura política pós-moderna em choque com o classicismo exterior, visível no comportamento das grandes potências ou na evolução do caos no Mediterrâneo alargado. Três crises para as quais a UE não teve instrumentos e cultura política à altura. Se a bolha em que se enfiou foi a causa, os nacionalismos que a correm os efeitos. Estamos a ir contra uma parede ou há escapatórias? Na próxima crónica tentarei explorar as opções.

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