Às cambalhotas

Lembram-se do que diziam há um mês Rajoy, Sánchez, Iglesias e Rivera, o quadrunvirato da política espanhola? Eu recordo. Mariano Rajoy jamais faria uma coligação com Pedro Sánchez, o PSOE nunca pactuaria com um novo governo do PP, Pablo Iglesias e Albert Rivera só iriam para um governo que pudessem liderar e Sánchez não abdicava da unidade do Estado para forjar um acordo com o Podemos. Hoje, um dia depois de concluídas as consultas com os partidos e de o rei ter convidado Rajoy a submeter o programa de investidura no Congresso, nenhum desses quatro líderes mantém a palavra. Contudo, ao recusar o convite, embora sem se retirar da corrida, o líder do PP coloca toda a pressão sobre Sánchez. O líder do PSOE conseguiu nas últimas semanas acalmar a oposição interna e eleger um socialista para a presidência do Congresso, com apoio do PP e do Ciudadanos, obrigando o Podemos a flexibilizar algumas linhas vermelhas para se manter à tona na negociação com o PSOE. Iglesias deixou cair a ideia dos quatro grupos parlamentares (três com forças regionais) e parece mais aberto a negociar sobre a Catalunha - quer um Ministério da Plurinacionalidade -, mas pregou uma rasteira a Sánchez, aproveitada logo por Rajoy para lançar Sánchez às feras: Iglesias propôs apoiar um governo PSOE (com a IU e outros partidos pequenos) desde que ficasse com a vice--presidência. Sánchez só soube disto na audição com o rei, o que mostra bem o entrosamento que se pode esperar desse governo. Mesmo assim, o socialista disponibilizou-se para conversar, expondo o seu jogo de sombras igualmente com o PP, que respondeu pela voz de Rajoy: façam favor de se submeter ao parlamento. Com isto virou todo o desgaste para Sánchez e expôs duas características que dificilmente acompanharão qualquer coloração governativa na atual Espanha: confiança e coesão.

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