A 'surge' latina

As últimas 48 horas mostraram uma afinação na estratégia democrata, com Hillary a focar mensagem e presença em estados onde o voto latino pode ser decisivo se mobilizável. É o caso tradicional da Florida, onde o voto latino antecipado superou em 200 mil o número de 2012, com uma predominância de não cubanos e eleitores estreantes. Não é certo que Clinton aqui vença, mas se o fizer é à demografia latina que o irá dever. Se conseguir acrescentar a Florida aos outros 18 estados que há seis eleições consecutivas votam no candidato democrata, a vitória pertence-lhe. A questão é que Michigan, Wisconsin, Pensilvânia e Minnesota não estão seguros, levando a máquina democrata até à revolta latina anti-Trump em estados habitualmente republicanos, como o Nevada, Carolina do Norte, Colorado e Arizona. Importante neste quarteto é o voto antecipado já ter atingido metade do total da participação de 2012, o que indica um compromisso mais convicto do que se pensava com a frente clintoniana. Neste sentido, Hillary pode não precisar da Florida se vencer no Nevada, Carolina do Norte, New Hampshire e Colorado. Assim, tal como Obama assentou vitórias nas minorias afro e latina, pressão que o levou a legislar e lutar contra o bloqueio do Congresso, também Clinton pode ficar a dever a vitória à surge latina. Ora, isto tem um efeito imediato, dado o sentido de proteção que essa comunidade espera, depois do ódio sofrido na campanha. A pressão justicialista que Hillary sofrerá e o peso desses votos implicam que garanta maioria no Senado e rostos políticos no topo da administração para desbloquear o diálogo com os republicanos que ainda se aproveitam no Congresso. É por isso que Joe Biden começa a ser suscitado para o Departamento de Estado e uma republicana, como Susan Collins, para a Defesa. A acontecer, poucas administrações terão um cunho tão político como a de Hillary.

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