O Natal e as prendas dos candidatos

Chega o Natal e fala-se das prendas. É normal que assim seja. A janela de mercado de janeiro está aí e o campeonato está tão quente que toda a gente vai querer reforçar-se para alimentar ainda mais as esperanças de chegar ao título. Já há muito se sabe que o FC Porto aproveitará a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões - e o dinheiro que daí sobra - para recompor o plantel na janela de mer- cado de janeiro, mas os outros dois candidatos não ficam atrás e os jornais já lhes arranjaram fregueses: Rúben Ribeiro para o Sporting; Rakip e Murillo para o Benfica. Veremos o que traz o Pai Natal e se as cartas enviadas a pedir presentes não são meros frutos do ímpeto consumista desta altura.

No FC Porto foi o próprio presidente, Pinto da Costa, a reconhecer que o clube aproveitará a janela de janeiro para dar mais dois jogadores a um plantel que é indiscutivelmente mais curto do que o dos rivais. É verdade que Sérgio Conceição tem feito o possível para o esticar: a troca de Casillas por Sá ou a estreia de Sérgio Oliveira num jogo tão difícil e importante como foi a saída ao Mónaco foram sinais para dentro de que todos têm de contar. Mesmo assim, é evidente que mais profundidade nas escolhas não faz mal a ninguém. A questão é: para onde? Ora, as notícias falam de um defesa central e isso, a mim, parece-me o menos necessário. O FC Porto tem Reyes, um dos melhores centrais da última Liga espanhola, que se não rende mais é porque está tapado pela dupla Felipe--Marcano. Ali, venha quem vier, se for de repente chamado à ação, como vai ser no primeiro jogo com o Liverpool, por castigo de Felipe, defrontar-se-á com a mesma falta de ritmo competitivo que agora afeta o mexicano.

Se há algo de que o FC Porto não precisa é de mais centrais. Ou de médios - pois se tem Óliver a sobrar e André André é tão pouco utilizado. Sérgio Conceição pode ter menos opções do que Jorge Jesus e Rui Vitória, mas tem um núcleo de 15/16 jogadores do mesmo nível, onde as maiores lacunas serão as mesmas do início de época: um duplo para Danilo (André André e Reyes fazem o lugar, mas são jogadores muito diferentes) e um terceiro ponta-de-lança para somar a Soares e Aboubakar, que Marega é muito mais um jogador de faixa lateral do que ponta-de--lança em 4x4x2. Nas alas a equipa está bem servida, com Ricardo, Maxi, Alex Telles e Layún para trás; Corona, Hernâni, Brahimi e Marega na frente - ainda com a possibilidade de chamar qualquer dos laterais (talvez à exceção de Telles). É para essas duas posições que Pinto da Costa deve trazer os tais dois reforços.

Já no Sporting, sabe-se que Jorge Jesus quer sempre mais: conseguir convencer os presidentes a darem-lhe mais é, aliás, um dos seus maiores méritos como treinador. E, se a tentação é perguntar para que posições pode este Sporting precisar de reforços, fique desde já a saber que essa é a forma errada de entender Jesus. Há dois anos, por exemplo, Schelotto, Coates, Rúben Semedo e Zeegelaar foram contratações de janeiro e peças-chave numa segunda volta notável que só não deu título ao Sporting porque o Benfica fez ainda melhor. Um ano depois, à exceção do central uruguaio, todos foram já substituídos. A questão, com Jesus, é outra. Jesus quer mais qualidade porque esgota os jogadores que não são capazes de resistir à pressão. E nesse aspeto gosta de aproveitar qualquer jogador que possa trazer-lhe esse acréscimo de qualidade. Rúben Ribeiro pode ser esse jogador. Como também pode não ser. Dependerá sempre da forma como se adaptar.

No Benfica, por fim, fala-se de um médio (Rakip), de um defesa esquerdo (Mazan) ou de um central (Murilo) e isso pode servir os interesses de muita gente mas não serão seguramente os do clube. Na Luz, o que mais urge é emendar os erros de casting feitos no mercado de verão e encontrar um lateral direito que nunca será Douglas (à esquerda, Eliseu quebra o galho sempre que Grimaldo não puder jogar) e um avançado que faça esquecer Mitroglou, que também não será Seferovic, nem muito menos Gabriel Barbosa. Enquanto tiver jogadores da qualidade de Luisão, Fejsa, Salvio ou Jonas e lhes juntar acrescentos importantes, como Krovinovic, o Benfica será sempre competitivo. Para ser dominador precisa de recuperar o melhor Pizzi, de estabilizar Rúben Dias como melhor opção para o centro da defesa e de esperar pelo guarda-redes. Aqui, porém, também já se cometeram erros de gestão: a crucificação de Varela face a um frango e à eclosão de um Svilar que é potencialmente melhor; a resposta aos erros naturais deste (tem 18 anos, está na idade de os cometer) com um endeusamento que serviu para menorizar ainda mais Varela e finalmente o regresso a um Varela muito menos confiante no final do processo não ajudaram nada.

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