Premium Será Berardo o último a rir?

Joe Berardo entrou-nos em casa para gozar com a nossa cara. A inconveniência, a sobranceria, a desfaçatez com que respondeu aos deputados dizem tudo sobre uma personagem que vive convencida de que o dinheiro não compra apenas um jardim de Budas, também pode comprar o estatuto de inimputável.

Joe Berardo é o típico jogador que atua nos espaços vazios. Dos interesses de terceiros, da letra da lei e, sobretudo, da legitimidade. Foi assim que ganhou o protagonismo na guerra pelo poder no BCP, quando explorou, para lá do limite do razoável, o interesse de Paulo Teixeira Pinto em acabar de vez com Jardim Gonçalves. Foi assim que conseguiu usar a Caixa Geral de Depósitos para travar essa mesma guerra, aproveitando a mão por detrás do arbusto, que manipulava o banco do Estado e que tão cara nos está a sair. Foi assim que atuou, no limite da legitimidade, quando usou a coleção Berardo para fazer chantagens sucessivas sobre o Estado português, ao mesmo tempo que se apresentava nas televisões como o grande mecenas que anunciava entradas gratuitas para ver a sua coleção pessoal. E foi essa a grande lição que nos deixou a semana passada no Parlamento: quando se tem dinheiro para pagar a bons advogados, tudo é possível em Portugal. Até ficar a dever e sair impune.

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