O cobrador

Ainda não entendi se daqui a uns tempos já ninguém será capaz de engolir Vítor Gaspar ou se, pelo contrário, lhe farão uma estátua. Se perguntarem ao ministro das Finanças, ele dirá: com as vossas pedras farei o meu pedestal. Já se percebeu que Gaspar gosta de saborear as palavras, o problema têm sido os números que pronuncia e as expectativas que cria. Em três conferências de imprensa, anunciou três aumentos de impostos. Primeiro, a facada no subsídio de Natal (além de uma primeira razia nas deduções e nos benefícios fiscais e do aumento das taxas moderadoras); depois, a subida do IVA para o gás e para a electricidade; agora o aumento dos impostos para os mais ricos e para as empresas. Definição de mais ricos para Vítor Gaspar: quem tiver rendimentos líquidos superiores a 2600 euros mensais. Pois bem, estes afortunados deixarão de poder deduzir as despesas em educação e saúde já em 2012. Ou seja, o IRS não deverá trazer nada na volta do correio. A decisão é boa? O sistema fiscal português é um labirinto. Faz todo o sentido simplificar. Acabar com deduções e benefícios (IRS e IRC) seria uma decisão certa se acompanhada por uma revisão geral que, no fim de contas, acabasse com as devoluções (dinheiro que emprestamos ao Estado sem cobrar juros), mas que no fim da linha nos permitisse também descontar menos. Ou seja, um sistema transparente, prático e mais justo. Não foi isso que Gaspar fez. Para já, cobrou. Aliás, voltou a cobrar, atingindo de novo a classe média - embora, pelo caminho, tenha apanhado os mais ricos. Quanto à concretização dos cortes na despesa, nada de substantivo. Teremos de esperar por Outubro. A expectativa cresce. Já deu lugar à impaciência. Gaspar que não nos defraude.

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