A mania da resistência à mudança

O mundo está em constante mudança e o ser humano até proclama que está sempre a aprender. Mas ao mesmo tempo é um animal de hábitos e por isso resiste à mudança. Será? Não raras vezes somos confrontados com mudanças e acabamos a elogiar um modelo anterior ao qual por ironia começámos por resistir.

Um exemplo: há cerca de um mês mudou o sistema de táxis numa das empresas da capital. Tive a sorte (ou o azar) de apanhar um táxi poucos minutos depois de a mudança ter sido feita. Nos 15 minutos de percurso, o discurso do taxista começou com as críticas a estas mudanças, "desnecessárias" na sua opinião, e acabou com a constatação de que tudo não passa afinal de uma questão de habituação. Afinal, no anterior sistema de transporte tudo também começou com... críticas. O que mais assustava o meu motorista era como iria processar o crédito (modelo de transporte utilizado pelo Diário de Notícias e outros jornais, que permite aos jornalistas passar uma nota de despesa sem pagar no imediato a viagem) quando chegasse ao destino. Mas o próprio acabou por assegurar que iria "desenrascar" a situação.

Diz-nos a ciência que a resistência à mudança por parte dos colaboradores é ainda a principal causa de falha nos processos de mudança. Mas, felizmente, a ciência também nos ensina que é possível criar novos hábitos. Os investigadores garantem que, em média, 66 dias após a mudança o ser humano já integrou a novidade na rotina (embora haja uma janela temporal bastante grande: nos casos mais rápidos pode demorar 18 dias e os mais resistentes 254). Ficou provado nas últimas viagens de táxi que fiz: nenhum dos motoristas se queixou do novo sistema. Parecia até que nunca tinha mudado. Afinal, nem sempre há motivos para olhar a mudança com tanta desconfiança.

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Os aspirantes a populistas

O medo do populismo é tão grande que, hoje em dia, qualquer frase, ato ou omissão rapidamente são associados a este bicho-papão. E é, de facto, um bicho-papão, mas nem tudo ou todos aqueles a quem chamamos de populistas o são de facto. Pelo menos, na verdadeira aceção da palavra. Na semana em que celebramos 45 anos de democracia em Portugal, talvez seja importante separarmos o trigo do joio. E percebermos que há políticos com quem podemos concordar mais ou menos e outros que não passam de reles cópias dos principais populistas mundiais, que, num fenómeno de mimetismo - e de muito oportunismo -, procuram ocupar um espaço que acreditam estar vago entre o eleitorado português.